Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Mobilidade dos Recursos Humanos na Globalização

19 de Março de 2012
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: , , ,

Sempre se entendeu que no processo de globalização, que ocorre no mundo nas últimas décadas, os deslocamentos das tecnologias e do fator de produção conhecido genericamente como capital eram mais rápidos que os dos recursos humanos. Mas eles começaram a ocorrer dos países classificados como em desenvolvimento para os industrializados nas últimas décadas, na procura de melhores oportunidades, na faixa considerada de preparo mais simples, de forma legal ou ilegal. Hoje, com os elevados níveis de desemprego nas economias desenvolvidas, muitos recursos humanos mais qualificados do ponto de vista educacional procuram condições de sobrevivência nos países emergentes, entre eles o Brasil. O suplemento dominical da Folha de S.Paulo, denominado São Paulo, entrevistou muitos que se deslocaram, principalmente da Europa para cá, no seu artigo de capa elaborado por Ana Paula Boni e Guilherme Genestreti, com situações bem diferenciadas entre cada indivíduo.

O número de estrangeiros que teriam recebido autorizações em 2008 seria de cerca de 44 mil, elevando-se para mais de 56.000 em 2010 e mais de 70.000 em 2011, com aumento de 60% em três anos. Há que se considerar que além destes existem os ilegais, predominantemente provenientes dos países vizinhos e um forte fluxo de retorno dos brasileiros que trabalhavam nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, também legais e ilegalmente. Somam-se ainda os chamados “expatriados” das empresas estrangeiras instaladas no Brasil que, mesmo se aposentando, preferem permanecer no país, mantendo pequenos negócios de iniciativa própria.

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O italiano Jacopo Carandini na ctapa da revista e o arquiteto espanhol Alejandro García, 30, em bar da Vila Madalena. Fotos de Isadora Brant/Folhapress

O artigo informa que os estrangeiros que obtiveram regularização no Brasil teve um sensível aumento de 2010 que foi de 961 mil para 1,51 milhão em 2011, com um aumento de 57%. Abrange os vistos concedidos pelo Ministério da Justiça a estrangeiros que se casam ou se unem a brasileiros, que têm filhos no Brasil, que são anistiados, que vêm ao país para estudos ou para fazer pesquisas, além de autorizações dadas pelo Ministério do Trabalho aos que trabalham em território nacional, segundo o mesmo artigo.

Informa-se que quase 90% é do sexo masculino, cerca de 55% possuem nível superior e 47% vêm para trabalhar em São Paulo. Pelas entrevistas, muitos consideram a situação passageira, mas a experiência dos brasileiros que foram para o exterior no passado mostra que a maioria acaba se adaptando de forma estável no país, de forma comparável com os imigrantes.

Estes recursos humanos são normalmente dotados de um forte empenho para conquistar uma ascensão social, tendo a coragem de abandonar a situação que tinham em seus países de origem para enfrentarem situações estranhas em ambientes em que não estão acostumados. Deve-se constatar, também, que existe um corporativismo no Brasil, não se reconhecendo com facilidade diplomas profissionais concedidos pelos estudos efetuados no exterior, necessitando-se de um complexo processo de revalidação. Uma parte destes estrangeiros acabará se transferindo para outros países, quando as situações econômicas se alterarem novamente.

Pode-se supor que o saldo das vantagens acaba sendo positivo para o país, pois uma economia com a dimensão geográfica do Brasil pode contar com uma população maior que a atual. A China e a Índia estão mostrando que, com uma política econômica razoável, a dimensão de suas populações que já superam a um bilhão de habitantes proporciona mercado interno e capacidade de produção para impulsionar desenvolvimento substancial, permitindo nível de bem-estar condizente para todos. As possibilidades melhoram com uma constelação de recursos naturais como a brasileira.



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