13 de janeiro de 2012
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias | Tags: crítica no Valor Econômico, edição em português da Companhia das Letras, seleção e tradução da Leiko Gotoda | 4 Comentários »
Um sábio brasileiro recentemente falecido, Joãozinho Trinta, afirmava quem gosta de miséria é intelectual, e ajudou o carnaval brasileiro a tornar-se uma festa de esplendor, com sua alegre filosofia e visão, talvez até irresponsável. A crítica elaborada por Bruno Yutaka Saito sobre a nova edição dos contos de Kenzaburo Oe, publicado no suplemento Eu & Fim de Semana do jornal Valor Econômico, leva-me a comentar este livro cujos contos foram selecionados pela minha amiga e competente tradutora Leiko Gotoda, que deve refletir com toda a fidelidade os seus originais em japonês publicado ao longo de muitas décadas.
Sou uma pessoa que procura o otimismo, até pela necessidade de preservar a minha saúde mental, porque sofri um AVC – acidente vascular cerebral. Leio com alguma regularidade as traduções das obras dos escritores japoneses e confesso que muitos não me fazem bem. Sinto um pessimismo mórbido na maioria destes autores, ainda que a generosa crítica de Bruno Yutaka Saito tenha colocado, com elegância, que Kenzaburo Oe tenha revelado o Japão além das meras aparências, com o que concordo. Os japoneses têm um ditado que numa tradução livre poderia ser: “para coisas mal cheirosas, tampa” (kusai mononiwa futa).


Kenzaburo Oe e capa do livro lançado pela Editora Companhia das Letras
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13 de janeiro de 2012
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: divulgação no Caderno 2 de O Estado de S.Paulo, documentário de Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim, Tom Jobim
Muitos sabem que “A Garota de Ipanema”, de Tom Jobim, é a música mais tocada até hoje em todo o mundo, batendo os grandes e consagrados astros mundiais. Noticia-se que o documentário preparado pelo renomado cineasta Nelson Pereira dos Santos, que já tinha trabalhos anteriores com Tom Jobim, e a Dora Jobim, neta do excepcional compositor, só tem músicas, nenhum diálogo ou legenda. E no seu final aparece a frase do próprio Tom: “Só a linguagem musical basta”.
Previsto a sua estreia ao público ainda neste mês de janeiro de 2012, o documentário já foi visto, algumas cópias em versões preliminares, por cineastas e pela crítica especializada, inclusive no exterior. O jornalista Luiz Carlos Merten e o crítico Luiz Zanin Oricchio publicam no Caderno 2 do jornal O Estado de S.Paulo do dia 12 de janeiro os seus artigos sobre o trabalho. Partes deles podem ser acessadas pelo: www.estadao.com.br/e/jobim


Tom Jobim e Nelson Pereira dos Santos
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5 de janeiro de 2012
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: ações no exterior, intensificou no Japão, trabalhos voluntários
Os lamentáveis desastres naturais sofridos pelos japoneses na região nordeste do Japão, com o terremoto e o tsunami em escalas incomuns, seguidos das radiações que levam tempo para serem eliminadas, provocoram um inusitado surto de trabalhos voluntários. Começou no atendimento das vítimas, mas estendem-se até o exterior, reforçando a tendência que já vinha se observando desde os problemas como de Kobe. O escritor Minoru Matsutani vem ressaltando este fenômeno nos artigos publicados no The Japan Times.
Deve-se reconhecer que um povo que vive num arquipélago limitado, com muitos acidentes naturais, tende a desenvolver uma cultura de trabalhos coletivos. Mas as cenas dos desastres transmitidos pela TV e pela Internet ficaram gravadas nas memórias de todos que participam da nação japonesa, com a adesão de estrangeiros que lá estão trabalhando. Muitos foram os primeiros voluntários que ajudaram no socorro daqueles que perderam seus lares e parentes, antes mesmo que os organizados sistemas para tanto existentes no Japão conseguissem atender a multidão dos desabrigados.


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4 de janeiro de 2012
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: arroz e sua importância, formas para os festejos, mochi, outros usos
Na Expo Tsukuba 85, o principal Pavilhão do Japão apresentava uma exposição audiovisual, com o que de mais atualizado se dispunha na sua tecnologia, para mostrar a importância fundamental que o arroz desempenhava na cultura japonesa. Makiko Itoh, reconhecida autora sobre a culinária japonesa, publicou no The Japan Times um artigo mostrando o seu significado simbólico na passagem do ano. Ela considera que o Ano Novo (Shogatsu) é o feriado mais importante do calendário japonês, mas existem também outras semelhanças em países asiáticos, onde o arroz continua sendo o alimento principal.
O mochi (bolinho de um arroz especial conhecido como mochi-mai, mais glutinosa e levemente doce de grão curto) é a estrela maior destas comemorações. Uma forma clássica de apreciá-lo é envolto em alga (nori), com um ligeiro tempero de molho de soja adocicado (shoyu). No Ano Novo japonês, é consumido dentro de um tipo de sopa com diferentes ingredientes típicos da época (ozôni), ligeiramente grelhado, que variam regionalmente e por famílias. Como o mochi fica muito grudento, muitos idosos acabam engasgando, registrando-se todos os anos algumas lamentáveis mortes.


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3 de janeiro de 2012
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias | Tags: Discover Magazine, Stradivarius, testes de diferenças com os novos, valor das raridades
Uma polêmica questão acabou de ser divulgada pela Discover Magazine, neste começo do ano, mostrando que um Stradivarius produzido por Antonio Stradivari, como um “del Gesu” produzido por Guarnieri Giuseppe, obtém no mercado milhões de dólares. Muitos renomados artistas que têm o privilégio de usar alguns destes instrumentos antigos acreditam que os mesmos são realmente os melhores existentes. Cientistas procuram as causas de tais diferenças, mas não chegam a uma conclusão definitiva, mesmo experimentando as madeiras e os vernizes que foram utilizados. Os apreciadores de música clássica ficam fascinados quando um artista de renome apresenta-se com tais raridades.
Uma dupla, Claudia Fritz, uma cientista de acústica de violinos, e Joseph Curtin, um fabricante de violinos, pediram a violinistas profissionais tocarem com estas raridades e com novos instrumentos, e não conseguiram diferenciá-los. Um dos violinos novos chegou a ser considerado o preferido.

Stradivarius: um instrumento supervalorizado
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3 de janeiro de 2012
Por: Monja Coen | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: criatividade, íntegra da entrevista no Folha.com, Joichi Ito, Midia Lab MIT, novas tecnologias
Muito interessante e provocativa a entrevista concedida por Joichi Ito, novo jovem diretor da Midia Lab MIT, para a jornalista Luciana Coelho que está em Washington, publicado na Folha de S.Paulo de hoje, e com a íntegra da mesma na Folha.com , com o título “Não há nada que não seja afetado hoje pela internet”. É preciso admitir que já ocorreu uma verdadeira revolução no mundo a partir dos trabalhos efetuados no Vale do Silício, liderado por alguns gênios, e que se generalizaram em todos os setores que envolvem a informática.
O estímulo à criatividade, fugindo dos padrões tradicionais da educação, acabou sendo disseminado e atividades humanas que exigem constantes inovações dependem, na sua eficiência, de sistemas que facilitem atividades fora da rotina do dia a dia, mesmo nas empresas. Constata-se que isto acabou ocorrendo em maior ou menor grau em todas as atividades humanas, acelerando o conhecimento de novas tecnologias em variados setores.

Joichi Ito em ação na Midia Lab MIT
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2 de janeiro de 2012
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: artigo no Yomiuri Shimbun, igrejas católicas, impressão de livros, marcas portuguesas em Amakusa
No popular jornal japonês Yomiuri Shimbun, o jornalista Shigeru Ueda relata a sua experiência em Amakusa, uma ilha da província de Kumamoto que preserva importante marcos que os portugueses levaram para o Japão no século XVI. Ele estava atrás de notícias relativas à presença de cristãos na ilha, mesmo quando eles foram perseguidos no final daquele século, mas foi surpreendido por outras informações sobre suas influências em outros importantes aspectos culturais locais.
Ele foi informado sobre uma edição das “Fábulas de Esopo”, impresso pelas técnicas desenvolvidas por Gutenberg naquela ilha, como relatado por Kenichi Miyashita, curador do Collegio Amakusa Center, que exibe documentos levados pelos portugueses para o Japão. O jornalista esperava informações sobre as presenças dos portugueses, mas nunca que Esopo tivesse chegado àquela ilha com seus ensinamentos.


Igreja católica de Oe e igreja católica de Sakitsu, em Amakusa, Kumamoto
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29 de dezembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: Asakusa, Kabuki, Kabuki-za de Ginza, tradição cultura
Entre os diversos tipos do tradicional teatro japonês, possivelmente o kabuki seja o mais conhecido não só no Japão como no exterior, mesmo que o nô também tenha os seus apreciadores. No kabuki, as peças e os artistas mais conhecidos são populares e fazem parte do patrimônio cultural nacional, sendo as pantomimas apresentadas somente por atores, havendo alguns consagrados e especializados na apresentação de somente personagens femininos. Alguns artistas utilizam o mesmo nome por gerações, sendo verdadeiros ídolos nacionais. No nô, os artistas se apresentam com máscaras típicas, acompanhados por músicas específicas, onde cada gesto é muito importante, tendo um significado diferenciado, menos movimentado. No kabuki, mais popular, os artistas se apresentam com maquiagens que exageram suas feições, sendo que alguns são conhecidos há séculos, inclusive por famosas xilogravuras.
O mais famoso local onde era apresentado o kabuki estava localizado em Ginza, tendo o nome de Kabuki-za, uma construção tradicional cuja original era de 1889, mas que foi destruída por um incêndio. A versão mais recente, dentro do estilo tradicional era de 1950, mas para a surpresa de muito estrangeiros foi destruída em 2010, estando sendo substituído por um novo e gigantesco edifício, atualmente em construção, que terá um espaço adequado para a prática do kabuki. O que em outros países seria “tombado” como um monumento intocável, os japoneses simplesmente os destroem, substituindo por um novo.

Fachada do Kabuki-za Ginza Tokyo
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24 de dezembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: artigo de Lilian Fernandes, conhecimentos científicos se tornando populares, divulgação no site Globo.com, oportunidade na época do Natal
Extremamente elogiável a divulgação ampla feita pelo site Globo.com do artigo elaborado por Lilian Fernandes, assunto que já era de conhecimento dos especialistas da área médica, mas que merece ser difundido em larga escala. Ao sentir uma emoção positiva, o cérebro humano acaba produzindo mais oxcitocina, desencadeando a produção de dopamina. A regulação desse sistema seria feita pela serotonina, neurotransmissor ligado à sensação de prazer.
Como uma pessoa que teve um AVC – Acidente Vascular Cerebral há alguns anos, efetuo consultas regulares com neurologistas e psiquiatras que sempre enfatizaram a necessidade de me manter otimista, realizando o que me proporciona prazer, ajudando a reduzir as situações de estresse da vida atual. Eles recomendam exercícios físicos nem sempre praticados como desejável, que auxiliaria no processo. Estes profissionais sempre procuraram me manter informados sobre estes avanços da neurociência que estão se acelerando com as diversas pesquisas.

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24 de dezembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: a visita de observação na China, estudos mais profundos, Gustavo Ioschpe, jornalismo | 2 Comentários »
Uma leitura mais completa de todos os textos que foram escritos por Gustavo Ioschpe, um economista com formação pós-graduada nos Estados Unidos em administração, que se especializou nos assuntos educacionais, sobre o que ele pode observar na atual China, denota que ele se tornou um jornalista com análises adequadas para revistas gerais de grande circulação, como a Veja que publicou o seu resumo, mas facilitou o acesso ao texto completo. Tendo já expresso posições contestadas por outros analistas ou envolvidos em educação, diante de suas colocações mais ousadas em outras ocasiões, ele mostra que seus trabalhos nem sempre decorrem de pesquisas profundas e sistemáticas, mas de observações mais ligeiras, ainda que contenham muitos aspectos de grande interesse geral.
É evidente que o desenvolvimento acelerado e recente da China tem variadas causas, não se podendo concentrar somente no seu atual sistema educacional que é novo em algumas partes daquele país. Ainda que ele mesmo admita as influências das raízes históricas da meritocracia predominante entre os chineses. Suas comparações se efetuam com o que ocorre no Brasil e do que ele conheceu nos Estados Unidos, quando poderiam ser interessantes as efetuadas com outros países asiáticos como o Japão e a Coreia, principalmente. Foram locais onde os ensinamentos de Confúcio foram incorporados nas suas culturas, de forma similar com a China, resultando na grande prioridade à educação, respeito aos professores e aos pais, sempre reconhecidos como fundamentais para o processo de preparo dos recursos humanos e de forma mais completa e humanística, do que as especializações estimuladas pelos norte-americanos. Acabaram hierarquizando muitas das suas sociedades, com os veteranos sendo mais considerados do que os novatos. Sua influência foi totalmente ignorada.

Muitas observações feitas pelo autor parecem comuns nas escolas coreanas como japonesas, ou em países menores como Cingapura, como cuidado com a limpeza e a disciplina, envolvendo até os pais. Ainda que o sistema educacional tenha ajudado a todos estes países asiáticos, parece haver outros fatores que estão determinando o impressionante desenvolvimento chinês das últimas décadas. Não parece conveniente exagerar na importância dos resultados obtidos em Xangai nas pesquisas conhecidas como PISA, como também acabou constatando o autor no final das suas considerações. Mas não se pode duvidar que as autoridades daquele país estejam conseguindo bons resultados, até atraindo professores consagrados no exterior, em grandes universidades.
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