Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Efeitos de políticas estrangeiras sobre o Brasil

12 de abril de 2011
Por: Samuel Kinoshita | Seção: Economia | Tags: , , , ,

Nos últimos dias, diversos representantes do Banco Central americano revelaram-se contrários a uma rodada adicional de compra de títulos. Destarte, o chamado QE2 deve finalizar a alocação programada de 600 bilhões de dólares em junho próximo. Alguns membros do FED vão além e sugerem a necessidade de imediata reversão da política laxista adotada atualmente. Um aperto súbito da política monetária nos países mais importantes representará uma mudança radical de paradigma, com consequências potencialmente graves para o Brasil.

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O presidente do FED, Ben Bernanke

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Continuam as Dificuldades dos Residentes no Japão

12 de abril de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Notícias | Tags: , , , | 6 Comentários »

Está se noticiando amplamente que as autoridades japonesas elevaram o grau de risco atômico na região das usinas de Fukushima Daiichi, que foram atingidas novamente por fortes terremotos, providenciando a ampliação das zonas de segurança da população, ainda que não se registre agravamento. O grau 7 é equivalente ao que ocorreu na usina de Chernobyl, ainda que a atual radiação em Fukushima seja inferior a dela. Lá ocorreu uma explosão atômica na usina da Ucrânia, diferente da japonesa, onde a explosão foi provocada pelos gases.

Ainda assim, os residentes no Japão, inclusive alguns brasileiros, informam que está ocorrendo uma banalização dos terremotos, e dos seus danos, dada a elevada quantidade dos tremores que estão ocorrendo acima de 6 graus na escala Richter. Mesmo que estes abalos estejam causando estragos materiais nas residências, bem como afetando o estado psicológico dos estrangeiros, não acostumados com o mesmo treinamento e cultura sobre os terremotos como os japoneses. Os indivíduos são desiguais e o medo não pode ser explicado pela lógica.

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Presidente da Tepco Masataka Shimizu. Novos tremores causam danos em residências

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Concerto de Lançamento do SOS Japão na Sala São Paulo

12 de abril de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Notícias | Tags: , | 2 Comentários »

O concerto de lançamento do SOS Japão na Sala São Paulo, com a especial participação do Coro da OSESP, regida pela maestrina Naomi Munakata, e da Orquestra de Cordas da mesma orquestra, regida por Wagner Polistchuk, transcorreu conforme o programado pelos seus organizadores. Começou com o triste Réquiem, de Toru Takemitsu, três peças de Heitor Villa-Lobos e uma interessante Suíte Borboleta, de Yoshinao Nakata, que ficou restrita em dois movimentos.

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A surpresa acabou sendo a fala da Monja Coen, que vai postada a seguir:

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Poema de Monja Coen

11 de abril de 2011
Por: Monja Coen | Seção: Depoimentos | Tags: , , , | 4 Comentários »

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Desastres Naturais

Violências Humanas

 

O tornado nos Estados Unidos destrói casas assim como tsunami no Japão.

Os suicidas enlouquecidos matam em escolas, mesquitas, shopping centers, igrejas, ruas.

Há desastres naturais: a Terra é um planeta vivo.

Há movimento de ventos, de águas, de terras.

Movimentos internos, sutis, que nos parecem tão fortes e violentos.

Há violências humanas: ódios, traumas, vinganças, poder, descontrole.

Movimentos internos dos ventos nos corpos, nas mentes. Movimento dos líquidos, dos sólidos.

Movimentos grosseiros, fortes, violentos.

Mas há a ternura, há o cuidado, há o sol suave no céu azul e nas plantas verdes brilhantes.

Cada gotícula de orvalho se dissolve. Os pássaros cantam, voando amarelo, azul canário, verde periquito.

Nuvens brancas passageiras se movem e as folhas dos coqueiros, das goiabeiras, mangueiras balançam suavemente.

Há praias mansas, de águas translúcidas.

Há praias bravas de águas revoltas.

Depois do tsunami, o mar do nordeste japonês está calmo. Os escombros amontoados são aos poucos transformados, remexidos, preparados para a renovação.

Depois da violência no Realengo, no Rio, há uma calma tristonha pelos corredores e salas de aulas. Alunos, alunas, professores e professoras precisam continuar seu aprendizado. Há uma reflexão, talvez, sobre acolhida e rejeição.

Os noticiários procuram entender os assassinos.

Pesquisam suas vidas, suas casas, seus textos e interesses.

Queria pesquisar também as vítimas – as meninas que eram lindas e tinham suas vidas, suas casas, seus textos e seus interesses.

Queremos sempre saber as causas para evitar que os acidentes ocorram.

Há sismógrafos, há seguranças, há sistemas de proteção e prevenção. E se tudo falhar, como falhou? A lágrima é de água e sal.

O que fazer do vento a mais de duzentos quilômetros por hora?

O que fazer das águas a mais de oitocentos quilômetros por hora?

O que fazer do descontrole emocional, da loucura a milhares de quilômetros por hora?

Países em lutas internas. Humanos matando humanos. Humanos matando a natureza. A vida destruindo a vida.

Renova ação.

Recupera ação.

Nos sentimos irmanados no sofrimento e na dor.

Assim como no Japão, norte-americanos fazem uma fila e passam sacos de areia tentando minimizar a invasão dos rios nas casas, nas ruas, nas almas dos seres.

Podemos, sim, fazer muitas coisas.

Podemos nos unir e reconstruir casas e cidades.

Podemos nos unir e descobrir como controlar a radioatividade.

Podemos nos unir e descobrir como funciona a mente humana.

Podemos nos unir e cultivar um bem muito maior do que as limitações das religiões mal compreendidas, das filosofias não entendidas, dos propósitos mal acabados, das economias mal articuladas, das ambições desenfreadas.

Um mundo de ternura.

Masaru Enomoto, que fotografou moléculas de água, nos pede a orar pelas águas de Fukushima.

Perdoem-nos águas, pela nossa ignorância e pela poluição radioativa. Nós amamos você, água sagrada que permeia toda a Terra.

Pensamentos de amor, de cuidado, de ternura.

Circulando.

Acreditando.

Chega de violências humanas. Já nos bastam as da grande natureza. Esta sim, não com raiva, não por rancor ou vingança. A Terra se move, o pluriverso está vivo.

Sentimentos humanos precisam ser entendidos, transformados, cultivando o pensamento maior de fazer o bem a todos os seres.

Isso é treinamento, prática incessante.

Nas escolas, nas casas, nas televisões, nas internets. Um processo coletivo, emergencial.

Por que divulgar tanto o mal?

Por que não divulgar o bem?

A alegria do nascimento, a renovação de Kobe, de Hiroshima. As plantas, os pássaros, as crianças correndo livres.

Cabe a nós, a cada um e cada uma de nós, a nos religarmos à beleza da vida.

Cabe a nós, a cada um e a cada uma de nós, a construir uma cultura de paz.

Comecemos com humildade em atitudes simples, como as pessoas do Japão dividindo alimentos, tristezas e esperanças.

Há tanto a ser feito.

Faça o seu melhor em cada momento.

Perceba as emoções prejudiciais – inveja, ciúmes, raiva, rancor.

Despeje sobre elas algumas gramas de amor, compreensão, sabedoria e compaixão.

Seja a transformação que quer no mundo.

Menos armas, menos munição, menos medo, menos reclamação.

Vamos colocar nossa energia de vida em bem da própria vida?

Sorria, o coelhinho está na lua, trabalhando, suando, batendo o motchi (bolinho de arroz especial).

Confie e aprecie a vida.

Mesmo na dor, mesmo na perda, há sempre uma nova partida.

Que os méritos de nossas práticas se estendam a todos os seres e que possamos todos e todas nos tornar o Caminho Iluminado.

Mãos em prece

Monja Coen


Um Brasil Desconhecido Mesmo dos Brasileiros

11 de abril de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: , ,

Um dos grandes problemas mundiais continua sendo o seu abastecimento com alimentos e o Brasil se mostra como um dos países onde a expansão da produção agroindustrial apresenta as melhores perspectivas. Até o passado recente, o Piauí era considerado o maior exemplo de uma região problemática, com baixo nível de renda. Mesmo os brasileiros que conhecem o meio rural brasileiro se impressionam com a rapidez do seu atual desenvolvimento. O jornal Valor Econômico traz hoje um importante artigo do jornalista Fernando Lopes com o título “Produção de grãos avança nas chapadas do ‘Mapito’” (Maranhão, Piauí e Tocantins), que pode ser acessado pelo: http://www.valoronline.com.br/impresso/agronegocios/105/410921/producao-de-graos-avanca-nas-chapadas-do-mapito

A matéria traz para os incrédulos fotos de uma fazenda de 24.000 hectares de área plantada no Estado do Piauí, bem como os equipamentos que estão sendo utilizados, que pode ser verificado parcialmente no site acima indicado. Em função dos cargos que exerci no governo federal brasileiro, tive a oportunidade de visitar cuidadosamente muitas destas áreas, que apresentavam condições semelhantes aos melhores do sudeste brasileiro, conhecido pelo seu desenvolvimento rural. A fronteira agrícola chegou lá, que apresenta uma topografia conveniente para grandes e racionais explorações rurais, das melhores do país.

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Ídolos em Correntes de Solidariedade

11 de abril de 2011
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos | Tags: , , , , , , , ,

O teatro da emissora NHK em Shibuya, Tóquio, tem sido palco de shows e concertos transmitidos ao vivo, dedicados a consolar desabrigados do nordeste do Japão. Com adesão carinhosa de cantores populares de diferentes ondas e idades, e de veteranos queridos como Hossokawa Takashi, Kitagima Saburo, Miyako Harumi, Sen Massao e Shujenzi Kiyoko. O repertório é de canções de eterno sucesso que o público canta de cor, e remetem a temas que cativam a todos: saudade, natureza, amores passados, terra natal…

Uma das músicas que mais fala ao coração de todos os japoneses nestes dias, sejam ou não oriundos do nordeste do país, é o grande sucesso lançado pelo cantor Sen Massao nos anos 70, Kitaguni no Haru (“Primavera da Região Norte”): fala da saudade de quem deixou o torrão natal, amigos, primeiro amor e pais para tentar vida em cidade grande. Sen Massao relatou que é natural de Rikuzen-Takata, província de Iwate – cuja parte junto ao litoral foi totalmente devastada pelo tsunami. A casa onde ele nasceu, em colina mais afastada, escapou por pouco. Sua idosa mãe, o irmão, e sobrinha escaparam ilesos, mas o cantor perdeu amigos de infância e colegas da escola. Ao cantar a conhecida Kitaguni no Haru com lágrimas nos olhos, o cantor foi acompanhado em coro pelos outros artistas no palco, e pela plateia. Ninguém conseguia conter o choro. Tampouco desabrigados que assistiam pela televisão, com certeza. Ou nipo-brasileiros veteranos que cantaram muito esta canção (e cantam ainda) pelos karaokês.

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Sen Massao, Placido Domingo, Zubin Mehta e Ryo Ishikawa: solidariedade

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Dramas Humanos Que Continuam em Fukushima

11 de abril de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: , ,

A vida continua no Japão e no mundo, mas há que se destacar os dramas das famílias daqueles que continuam trabalhando nas usinas de Fukushima, com elevados riscos para suas vidas, decorrente da irresponsabilidade dos dirigentes da TEPCO, empresa de energia elétrica proprietária delas. Os que se ficaram conhecidos como os funcionários samurais estão conscientes das suas responsabilidades e dos riscos que suas vidas correm, merecendo a mais profunda solidariedade de todos, principalmente de seus familiares.

O site do Daily Yomiuri Online relata alguns casos dos dramas por que estas famílias estão passando. Há um relato de uma esposa que faz parte dos membros removidos para fora dos limites de 20 quilômetros estabelecidos pelas autoridades, cujo marido continua trabalhando na usina. Estão casados há 20 anos, com um filho universitário e uma filha no nível colegial. Seu marido tem orgulho do trabalho que vem fazendo, e num jantar revelou à família que no dia seguinte seguiria para o trabalho, tendo a esposa providenciado roupas e meias para uma semana. Ela gostaria de dizer: “Você precisa ir?”, mas respondeu somente, “Sei…”. No dia seguinte, ela informou à filha: “O pai escolheu ir por causa do seu senso de responsabilidade, e ele está trabalhando pelos outros”. A filha respondeu: “Meu pai é brilhante, ele é um herói”.

DY20110411103053274L0Alguns dias depois, o marido retornou para casa e disse a ela: “Eu trabalhei num lugar onde o nível de radiação era elevado”, e dormiu até o meio-dia, e ela entendeu que seu trabalho foi extremamente duro. Os parentes a criticavam por não fazer nada para impedir o seu marido a continuar trabalhando, mas ela informou que pensar nisto poderia destruir seus nervos. “É meu trabalho como esposa pensar que ele está a salvo e esperar a sua volta após um trabalho arriscando a sua vida”.

Outros casos semelhantes estão relatados no artigo do Yomiuri, informando que todos os trabalhadores estão cansados, cientes que estão trabalhando em áreas de alta radiação, mas sentem a responsabilidade que pesa sobre eles. Alguns são de empresas subcontratadas que efetuam outros serviços na usina. Suas famílias procuram dar o suporte que eles necessitam procurando não criticar suas atitudes.

Apesar de poderem utilizar os telefones celulares, procuram não incomodá-los enquanto estão trabalhando, enviando somente mensagens escritas. Acompanham pelo noticiário da televisão o que está acontecendo. Estes ombros amigos são vitais para os que estão trabalhando, com o espírito do bushido, o código de honra dos samurais, pensando na coletividade.

Mas também os seus familiares, principalmente as esposas que ficaram com todos os encargos de continuar a administrar os seus lares, cuidando dos filhos, resistindo às pressões dos parentes. O desgaste físico e psicológico delas deve ser sobre-humano, mas se apoiam na cultura dos japoneses, que lhes impôs responsabilidades difíceis de serem avaliadas pelos ocidentais.

Muitos ainda possuem a imagem de que as mulheres japonesas são submissas, caminhando na rua atrás dos seus maridos. Na realidade, as decisões fundamentais da família e da sociedade japonesa dependem delas, tanto na administração do seu patrimônio, que significa também os investimentos do país, e educação dos filhos que é a continuidade da família e do Japão.

Se os trabalhadores das usinas podem ser considerados samurais, elas são as heroínas que continuam sustentando o país, que certamente emergirá mais forte, diante das duras provas por que estão passando.


Distorções nas Análises Econômicas

11 de abril de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: , , ,

Temos insistindo, como economista, que muitos colegas apresentam análises que refletem mais os seus interesses, muitos ligados ao sistema financeiro do que aos da sociedade. Surge agora uma onda entre os mais credenciados acadêmicos mundiais mostrando que muitos dos supostos conhecimentos de macroeconomia e instrumentos estatísticos possuem limitações que não são devidamente alertados para os jornalistas e seus leitores leigos. Um crítico que vem insistindo nesta linha é o prêmio Nobel Joseph Stiglitz, que pelo site de uma organização chamada Project Syndicate publica um importante artigo reproduzido no O Estado de S.Paulo de hoje.

JOSEPH STIGLITZ

Joseph Stiglitz em foto de Antonio Milena/Agência Estado

Utilizando o lamentável exemplo de Fukushima, Joseph Stiglitz informa que os cientistas divulgaram que os riscos de derretimento nuclear, provocando catástrofes na usinas, haviam sido praticamente eliminados. De forma similar, que na crise financeira internacional de 2008, com inovações dos instrumentos estatísticos e financeiros, os riscos poderiam ser reduzidos ao mínimo.

Tecnicamente, os cientistas e os financistas subestimaram e iludiram não só a sociedade como a eles próprios, sem compreender a complexidade dos riscos. Em termos estatísticos, os eventos raros (chamados de black swan ou cisnes negros) têm uma distribuição estatística que originam de causas grossas (fat-tail) diferindo das chamadas normais, ou seja, podem ocorrer mais nos extremos da distribuição. Numa explicação mais clara para os leigos, são eventos que se imaginavam poder ocorrer a cada 100 anos, e que estão ocorrendo a cada 10 anos.

Lamentavelmente, isto elevou os lucros dos bancos e das empresas de energia elétrica, com consequências catastróficas. Os alemães suspenderam o funcionamento das usinas similares, o que não vem ocorrendo nos Estados Unidos, como informa Joseph Stiglitz.

No caso do sistema bancário, inventaram que alguns bancos eram tão grandes que não poderiam quebrar, pois as autoridades monetárias seriam obrigadas a intervirem, ajudando-os. Os lucros foram privados, enriquecendo-os, mas os prejuízos foram socializados, sendo pago por todos. E continua havendo uma resistência política para o controle dos fluxos financeiros internacionais, que podem complicar inclusive a situação brasileira, cujas autoridades estão atentas, contrariando os interesses das instituições financeiras, seus economistas e jornalistas lobistas.

Haveria outros cisnes negros à espreita? Stiglitz informa que sim, o aquecimento global e as mudanças climáticas.


Tsunami de Informações Sobre a China

11 de abril de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: , , , ,

O verdadeiro tsunami de informações sobre a China que está ocorrendo com a visita da presidente Dilma Rousseff àquele país dificulta a seleção das notícias mais relevantes. Muitas informações originárias de jornais internacionais, mesmo tentando ser isentos, sempre apresentam vieses ideológicos e naturais interesses de outras potências, como o exagero dos assuntos relacionados aos direitos humanos, ainda que eles sejam importantes e possam ser mencionados genericamente nos comunicados conjuntos.

O Brasil tem uma melhor consciência do que é de seu interesse nacional, como o relacionamento de longo prazo com a atual economia mais dinâmica no mundo. O que interessa é estabelecer bases sólidas para um intercâmbio como o de tecnologias, onde ambos os países possuem avanços em determinados setores, podendo interessar uma parceria para a sua evolução. Os chineses, pela estrutura do Partido Comunista Chinês, presente em todas as organizações relevantes e com uma estratégia profundamente estudada de longo prazo, sabe exatamente o que pode obter de interessante no intercâmbio com o Brasil.

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1. Presidente Dilma Rousseff desembarca na China. Foto Frederic J. Brown – AFP.

2. Capa do suplemento espcial do Valor Econômico

O jornal Valor Econômico inclui na edição de hoje um suplemento especial referindo-se às oportunidades e desafios nas relações bilaterais, com alguns textos resumidos em inglês. Como operação de consequências imediatas, noticia que será anunciada durante a visita a compra de 35 jatos BEM-190 da Embraer, com capacidade para 114 passageiros, pelas empresas chinesas, dentro da linha de aumentar as exportações brasileiras de produtos de maior valor agregado. E noticia a possibilidade de produzir na joint venture que mantém naquele país os jatos executivos do tipo Legacy 600.

A grande comitiva que acompanha a presidente Dilma Rousseff poderá colher alguns resultados interessantes, mas a sua finalidade básica deve ser aumentar o conhecimento recíproco para identificar as oportunidades de negócios interessantes, principalmente que tenham conteúdo tecnológico mais avançado.

É preciso entender que a China é um país e uma economia complexos, com longa história e vasta cultura, com diversidades pelas suas muitas regiões. Com o rápido crescimento por que vem passando nas últimas décadas, desenvolveu tecnologias avançadas em muitos setores, como o da construção civil e infraestrutura, dispondo de elevada capacidade de investimentos. No entanto, só nos interessam na medida em que não exijam a utilização de seus recursos humanos, que são abundantes, em obras locais, como estão fazendo em países de menor nível de desenvolvimento. O Brasil já conta com um complexo industrial, agrícola e de serviços, mais avançado do que o normal para economias do mesmo nível de renda.

Sendo o Brasil um país relativamente jovem, com história ainda recente, e uma elevada miscigenação étnica e cultural, contando com uma invejável disponibilidade de recursos naturais, uma biodiversidade impar no mundo, tem todas as condições para discutir de igual para igual, como já fez com os Estados Unidos. Mas, como todos os jovens, algumas vezes somos mais ousados e muitos dos nossos empresários procuram resultados de curto prazo.

Os interesses nacionais brasileiros devem ser colocados acima de tudo, como os chineses também os fazem. Há mais interesses comuns do que aspectos que nos separam. Vamos procurar tirar o máximo proveito desta oportuna viagem da presidente Dilma Rousseff que será relativamente longa, até a reunião de cúpula do BRICs que deverá ocorrer na próxima quinta feira.


Uma História Quase Anarquista

11 de abril de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Depoimentos | Tags: , , , ,

Acredito que no subconsciente dos seres humanos os sonhos misturem fragmentos de duras realidades como as que estamos vivendo nestes dias de março-abril de 2011, com alguns desejos que estão no mais profundo de nossas almas. Ainda que desta confusa fusão surjam inexequíveis aspirações quase anarquistas. Esta explosiva mistura deve ter desencadeado o fantástico pesadelo que tive, para mim sem muita lógica razoável, como a maioria destes fenômenos durante o sono agitado.

Partes destas realidades ficaram marcadas na minha mente pelas catastróficas imagens dos terremotos e tsunami que vêm ocorrendo no Japão, provocando apocalípticas destruições materiais de casas, infraestrutura, locais de trabalho de agricultores e pescadores com destaque. Com a perda lamentável e o desaparecimento de dezenas de milhares de preciosas vidas. Aos que se somam danos psicológicos que podem se prolongar por toda a vida nas pessoas mais próximas dos desastres.

Segue-se ainda o longo e angustioso drama para controle das radiações das usinas atômicas de Fukushima Daiichi, com riscos de ocorrer também em outras unidades similares próximas do Tohoku, o nordeste japonês. Acredito que ninguém escapa impune destas duras cenas que nos chegam pelos meios eletrônicos, quase instantaneamente.

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Bem mais próximo, no Brasil ocorre o chocante assassinato de mais de uma dezena dos jovens estudantes de uma escola em Realengo, perpetrado por um desequilibrado, qualquer que seja a designação que venha ser dada pelos especialistas em psiquiatria para este ser popularmente denominado como maluco.

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Procurando acompanhar parcialmente o que acontece de forma diferenciada, na elaboração de matérias para este site sobre os aspectos relevantes destes lamentáveis acontecimentos, impõe-me reflexões sobre a natureza humana e sua fragilidade diante de forças nem sempre conhecidas, como da natureza ou das mazelas humanas.

O que levou a agravar as suas consequências em sofrimento humano por falhas evitáveis da coletividade a que pertencemos? O que pode ser aperfeiçoado para que tais tragédias, quando se repetirem, como podem ocorrer, provoquem menores danos? São angústias que povoam a nossa mente.

Tudo acaba se ligando na memória, também fragmentada, com a história e evolução da sociedade em que vivemos principalmente no Brasil e no Japão. O aspecto anárquico do pesadelo é que ele pretende desestruturar o que foi acumulado pelas coletividades, como num violento tsunami que arrasa a tudo, exigindo uma reconstrução total depois do amontoado de lixo que restou. É um inconformismo com os lamentáveis acontecimentos. Mas sabe-se que as sociedades têm uma história e uma geografia e somente numa prancheta ou num artigo tudo pode começar novamente do zero, numa evidente simplificação.

No entanto, parece legítimo aspirar por um maior respeito à vida e uma redução da violência. Não se pode compactuar com culturas que demoram em ter a humildade de pedidos de socorros externos, ainda que gestos heróicos sejam adotados para resolver os problemas. A solidariedade internacional e tecnologias adicionais estão demonstrando que podemos ter qualidades, mas outros também as têm, e com a cooperação de todos há meios para abreviar os danos e sofrimentos.

Viemos todos sendo tolerantes com a disseminação da violência, a redução do valor da vida. Não se pode, em nome da rejeição à censura, que filmes, programas de televisão e até mangás façam a apologia à violência. Eles acabam afetando as mentes frágeis que resultam em comportamentos antissociais, com ações insanas que prejudicam a outros com os quais temos que conviver em sociedade.

Mas temos mecanismos de alívio das nossas culpas, pois temos que continuar vivendo. Os japoneses renovam suas esperanças com a alvissareira chegada das floradas das cerejeiras que, mesmo com as devidas considerações aos desaparecidos, estão sendo comemoradas.

Tivemos o privilégio de assistir ao concerto do coro de câmara da Osesp, regido pela maestrina Naomi Munakata, na Sala São Paulo, executando a obra do compositor estoniano Arvo Pärt, a missa cantada “Berliner Messe” na festa de Pentecostes. Santo remédio, lavou a nossa alma, ainda que eu não seja católico, mas a música é universal. Renovou a nossa esperança de continuarmos lutando pela vida, contra qualquer forma de violência.