Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Difícil Situação do Ministro da Economia

25 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política, Editoriais e Notícias | Tags: , , , ,

A imprensa informa que o ministro de Economia Paulo Guedes acabou sendo retirado às pressas da entrevista coletiva, quando se referia ao fim do auxílio emergencial que vem, com algumas dificuldades, sendo concedida para parte da população brasileira. A medida seria suspensa para não aumentar o déficit público, mesmo que se retire parte dos recursos hoje destinados ao chamado sistema S, que vêm sendo alocados para muitas finalidades, entre outros de treinamento de recursos humanos.

Nada que possa afetar o atual prestígio do governo e do presidente Jair Bolsonaro é admitido por sua equipe. O ministro do Governo, general Luiz Eduardo Ramos, e o líder do governo na Câmara Federal, Ricardo Barros, aceleraram a saída do ministro Paulo Guedes da entrevista à clip_image002imprensa. Isto é uma das evidências que Paulo Guedes é considerado por muito pouco ajustado à orientação atual do governo, não se sabendo até quando ele vai resistir a estes desconfortos.

Cena onde o ministro Paulo Guedes é retirado da entrevista que dava à imprensa, junto com outras autoridades

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Danos do Coronavírus no Setor Hospitalar Brasileiro

23 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política, Saúde | Tags: , , ,

Apesar das medidas de emergência do governo federal que procuram atender parte da população afetada pelo coronavírus, a recessão na economia e as dificuldades de toda ordem para os menos privilegiados dos brasileiros, o que se observa até o momento é uma possível redução dos trabalhos em alguns setores relacionados com a saúde. Os planos de saúde parecem sofrer uma diminuição dos seus associados, os hospitais aparentam estar com movimentos reduzidos em alguns setores da saúde, muitos pacientes que precisam ser atendidos estão receosos de procurar os hospitais, ainda que tenham outras moléstias também graves.

São limitados os setores de saúde privados que estão sobrecarregados de tarefas. Na média, além de contarem com menos recursos para as suas necessidades fundamentais, muitos pacientes parecem receosos de estarem sujeitos aos riscos de contaminação com a atual pandemia. Dentro do possível estão evitando os hospitais, salvo em casos extremos. Muitos hospitais estão com setores sem intensos movimentos, ressalvadas as emergências inevitáveis.

Os anúncios dos hospitais e planos de saúde parecem ter aumentado na imprensa. Os hospitais públicos aparentam estar sobrecarregados, mas sempre que providências tenham que ser tomadas, os pacientes parecem receosos com os riscos de contaminações e as informações verbais indicam que, na média, os hospitais privados estão com mais leitos desocupados. Numa recessão econômica, dificilmente a redução do movimento é uniforme, mas nota-se que os setores com custos menores estão menos prejudicados. As alimentações, por exemplo, passaram pelo aumento dos chamados “deliveres”, normalmente num padrão mais simples com preços mais baixos.

Sempre existem honrosas exceções como em qualquer outro setor da economia durante uma recessão. Como a previdência social não consegue uma velocidade desejada nos seus trabalhos, em alguns setores do governo formam-se lamentáveis filas daqueles que não conseguem ser atendidos pelos telefones, notadamente quando as documentações exigidas não estão completas e atualizadas.

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                                 Hospital filantrópico Santa Marcelina, zona leste de São Paulo

Nesta situação, os hospitais filantrópicos que já estavam sobrecarregados, apesar de serem considerados complementares ao SUS – Sistema Único de Saúde, não contam com todas as condições para atender os necessitados. Muitos voluntários procuram se organizar para atender os menos privilegiados, com a máxima boa vontade e com ajudas eventuais de algumas empresas, inclusive no setor complexo da saúde.

Não seria desejável que as autoridades abusem nos seus discursos, quando milagres nos aspectos que envolvem a economia, são extremamente raros.


Premiê Suga Difere dos Políticos Tradicionais Japoneses

18 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política, Editoriais e Notícias | Tags: , , , ,

Os primeiros sinais dados pelo novo governo japonês, que tem Yoshihide Suga como primeiro-ministro, surpreendem os analistas da política do Japão. Ele começou por anunciar o aumento dos impostos, visando à redução da dívida pública do país, que é acima do adequado, mas nunca é popular entre os eleitores. Nomeou Takuya Hirai, ministro de estado encarregado da transformação digital, o que é possível num país que tem um nível de desemprego relativamente baixo. E designou Taro Kono, ministro de estado encarregado da reforma administrativa, visando reduzir a máquina governamental. São medidas ousadas, adequadas para o início do novo governo. Apesar do regime distrital do Japão, sua esposa Mariko Suga, discreta e que era contra o marido pretender ser o primeiro-ministro, não se concentra em atuar em Yokohama, que é sua base eleitoral, mas atua clip_image002incansavelmente pela sua carreira em Tóquio. Tudo difere muito do que é tradicional no Japão.

Dois membros importantes do gabinete recém-formado pelo primeiro-ministro Yoshihide Suga são Takuya Hirai, à esquerda, ministro de estado encarregado da transformação digital, e Taro Kono, ministro de estado encarregado da reforma administrativa. Fotos constante do artigo publicado no site do The Asahi Shimbun, que vale a pena ser lido na sua íntegra

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A Água Corre Para o Mar…

15 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política, Editoriais e Notícias | Tags: , , , ,

Juntando diversas situações que ocorrem no Brasil, como no Japão, noticiados recentemente pela imprensa, parece possível cogitar-se que os sempre limitados recursos disponíveis no governo sejam aplicados com a maior eficiência possível. Isto que era ministrado nos cursos de planejamento e programação governamental na FEA – USP, que já foram aplicados da melhor forma nas mais variadas localidades e situações no Brasil. Comecemos pelo caso da clip_image002província de Akita, no Japão, onde foi criado o próximo primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, mostrando que lá a situação é das mais difíceis. Todos sabem que Akita fica próxima de Fukushima, onde uma usina atômica contaminou a região e atualmente restam poucos idosos, pois os demais migraram para outras regiões do Japão.

Muitas lojas da região de Akira encerraram suas atividades, onde restam poucos idosos, pois os mais jovens migraram para outras regiões do Japão

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Lições de Política Econômica Vindas do Japão

15 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política, Editoriais e Notícias | Tags: , ,

Quando o novo presidente do Partido Liberal Democrata do Japão, Yoshihide Suga, anunciou que pretende elevar o imposto de renda, para manter a dívida pública daquele país dentro dos limites suportáveis, muitos achavam que ele estava se arriscando onde o Shinzo Abe não conseguiu o apoio necessário. No entanto, em matéria de política econômica, há que se forçar os sempre desagradáveis aumentos dos impostos, ainda quando o futuro primeiro-ministro clip_image002conta com um grande patrimônio político intacto. Se ele conseguir obter o que está propondo, pode ser que esteja mostrando a sua faceta de um verdadeiro estadista.

Yoshihide Suga confirmado como presidente do PLD japonês, que no regime parlamentarista do Japão se torna o próximo primeiro-ministro

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Perspectivas Eleitorais nos EUA e Influências no Brasil

12 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Política | Tags: , , , ,

A entrevista do presidente Donald Trump, que as pesquisas de opinião indicam estar pouco abaixo do candidato democrata Joe Biden, pode precipitar os resultados na próxima eleição, mesmo que existam ainda os analistas que continuam dando importância à situação da economia norte-americana em recuperação. Na cultura norte-americana, esconder a verdade da avaliação da relevância da covid-19 pode ser algo fatal, mesmo do ponto de vista eleitoral. Os meios de comunicação social dos Estados Unidos estão indicando que as entrevistas concedidas por Donald Trump a Bob Woodward, cujo livro será lançado nos próximos dias, ele que ficou famoso por ter provocado a queda do presidente Richard Nixon no caso conhecido como Watergate. Muitos estão criticando Woodward por não ter antecipado esta informação, reservando-a para o aumento de venda do seu livro.

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Bob Woodward com Carl Berstein, que acabaram provocando a renúncia do presidente Richard Nixon com o famoso caso que ficou conhecido como Watergate

Donald Trump, nas muitas entrevistas concedidas a Bob Woodward, que serão lançadas como um livro nos próximos dias com o título “Rage” (raiva), revela que mesmo sabendo dos riscos da covid-19 preferiu não provocar um pânico na população. O assunto foi apresentado na rede de televisão CNN.

Como já divulgado, esta pandemia provocou somente nos Estados Unidos mais de 180 mil mortes e 6.400 mil afetados, números mais elevados do mundo. Estão seguidos dos brasileiros com mais de 130 mil mortos e 4.200 mil afetados, que podem ser superados com os dados mais recentes da Índia. Os números norte-americanos poderiam ser mais baixos se todos eles tivessem sido alertados no início da pandemia e as autoridades tomadas as providências preventivas adequadas.

Como os Estados Unidos ainda possuem grande importância na comunicação social no mundo, se o presidente Donald Trump tivesse adotado uma atitude não eleitoreira os dados mundiais poderiam ser diferentes, ainda que não se saiba quanto. No caso brasileiro, sabe-se que o presidente Jair Bolsonaro respeita demasiadamente o que os norte-americanos fazem, principalmente o seu presidente, ainda que eles pensem mais nos seus interesses, e o Brasil tenha perdido espaço nos últimos anos na importância no cenário internacional.

Mesmo com todas as ponderações possíveis, inclusive do baixo conhecimento seguro sobre esta atual pandemia, tudo indica que mais informações, mesmo chocantes, poderiam antecipar alguns esforços preventivos da covid-19. Mesmo não havendo um consenso sobre todos eles, como se evitando aglomerações, inclusive sobre o reinício das aulas para os estudantes.

Lamentavelmente, não somente no Brasil, existem muitos que continuam subestimando os riscos das contaminações, com retomadas parciais de muitas atividades, não utilização de máscaras, além das dificuldades de higiene, principalmente das populações menos favorecidas.


Shenzhen é Considerado o Vale do Silício da China

4 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais e Notícias | Tags: , , , | 2 Comentários »

A brasileira Tatiana Prazeres é colunista da Folha de S.Paulo e sendo fellow na Universidade de Negócios Internacionais e Economia em Pequim, tendo sido secretaria de comércio exterior na Organização Mundial de Comércio, ela está credenciada para escrever sobre o desenvolvimento tecnológico que continua ocorrendo na China. Com a contribuição de Deng Xiaoping, muitos chineses aproveitaram as oportunidades de estudos no exterior, notadamente nos Estados Unidos. Hoje, ainda que considerado por muitos como politicamente autoritário, o fato concreto é que aquele país vem utilizando intensamente os mecanismos de mercado nos relacionamentos com o exterior, conseguindo ser um exemplo econômico que poderia ser aproveitado por outros países emergentes como o Brasil.  

Shenzhen na China, considerado o Vale do Silício naquele país que se multiplicou por outras cidades

Em Shenzhen é permitido, segundo a autora, que as empresas visem o lucro, demitam pesquisadores, remetam divisas para o exterior há quarenta anos, como a primeira área-piloto para atrair empresas estrangeiras. Hoje, existem 14 cidades na China que replicaram seu exemplo, experimentando mudanças para corrigir seus rumos, de forma pragmática. Provocou-se uma forte descentralização econômica. As maiores empresas chinesas que se voltam às tecnologias mais avançadas chegam agora a 30 mil, conhecidas internacionalmente.

Há um equilíbrio entre as forças do Estado e do setor privado e o que se conseguiu nestas cidades de desenvolvimento tecnológico utilizando o empreendedorismo local. Novas inovações continuam sendo adotadas, intensificando o intercâmbio com o exterior, o que chega a incomodar governos atuais como dos Estados Unidos.

Na atual fase, os chineses voltam-se ao esforço de utilizar o seu expressivo mercado interno, quando os recentes problemas reduziram o ritmo da globalização. Estes exemplos podem ser utilizados no Brasil com as devidas adaptações.

O que parece evidente é que há uma necessidade governamental de pensar em longo prazo, tendo um plano adequado para ser implementado pragmaticamente na medida em que vão ocorrendo mudanças significativas na economia mundial, não se restringindo às percepções emocionais restritas a poucos dirigentes.    


As Influências Políticas de Quem Está no Poder

4 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Política | Tags: , ,

Eleições estão previstas em diversos países, para este ano ou nos próximos, mas mesmo que as pesquisas de opinião indiquem possibilidades de mudanças dos grupos que estão no poder, existem fortes indícios que os que se encontram atualmente no governo não podem ser subestimados. Nos Estados Unidos havia pesquisas que indicavam uma boa margem a favor dos democratas que estão atualmente na oposição, mas parece que ela está diminuindo, mesmo com a ocorrência de problemas como os raciais e dos danos causados pela pandemia do Covid 19 e suas amplas consequências econômicas e sociais para a situação. Não se pode subestimar a força dos republicanos comandados pelo atual presidente Donald Trump e seus conservadores.  No Japão, apesar das forças que desejam acelerar as mudanças dentro do próprio Partido Liberal Democrata, muitos analistas afirmam que Yoshihide Suga que tem a preferência do atual primeiro-ministro Shinzo Abe, mesmo não sendo o mais popular nem dentro do seu partido, está entre os favoritos para se tornar o novo primeiro-ministro. No Brasil, mesmo que o presidente Jair Bolsonaro seja criticado por muitos, ele consegue contar até o momento com as condições políticas para a sua reeleição, ainda haja um prazo considerável para tanto.

As pesquisas de opinião davam uma boa margem de vantagem para os democratas, mas elas foram reduzidas nas últimas semanas

No caso dos Estados Unidos, ainda que existam muitos problemas, a economia continua em condições razoáveis, proporcionando empregos para a população local. Donald Trump vem radicalizando os conflitos com os chineses, inclusive na área militar, notadamente no Sudeste Asiático, explorando o sentimento nacionalista norte-americano. Isto vem reduzindo a margem que os democratas possuíam, não se sabendo claramente o que acabará acontecendo num país federativo que tem diferenças dos sistemas eleitorais por estados, não dependendo da maioria popular.

No Japão, que conta com um regime parlamentarista, a preferência do atual primeiro-ministro Shinzo Abe, tudo indica, é ser substituído por Yoshihide Suga, que não tem apoio popular, nem das importantes facções que são relevantes no Partido Liberal Democrata, mas seria de continuidade da atual política japonesa. Parece que o Japão não ousa adotar uma posição de marcante liderança internacional, mantendo um bom relacionamento com os Estados Unidos e os principais países asiáticos, com os quais possui um significativo intercâmbio comercial e econômico.

O Brasil, apesar dos muitos problemas sanitários, econômicos e sociais que não facilitam os relacionamentos com os principais países europeus, procura manter o intercâmbio comercial e financeiro com a China, mesmo com as grandes diferenças ideológicas com aquele país asiático, de forma pragmática. Tudo indica que Jair Bolsonaro dá uma elevada importância para a sua futura possibilidade de reeleição, enfatizando a polarização política dentro do país. Também não se pode subestimar estas suas possibilidades, de seus familiares e de correntes que os apoiem, mesmo que existam muitos outros grupos políticos que não concordem com ele, sendo que os benefícios sociais para os menos favorecidos não tenham condições de sustentabilidade econômica por muito tempo.

Aqueles que têm capacidade política de transformar as aspirações dos eleitores em suas posições, mesmo de forma populista e até demagógicas, podem empolgar a parcela da população a seu favor, o suficiente para a vitória eleitoral. Os usos exagerados dos novos mecanismos eletrônicos das redes sociais acabam tendo consequências, mostrando que os mecanismos tradicionais da democracia sejam contornados de formas perigosas. O que se espera é que as legitimas aspirações dos eleitores acabem prevalecendo nos pleitos eleitorais, mesmo com todos os defeitos que possam existir em qualquer país.


Reforma Administrativa do Governo Federal

3 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais e Notícias | Tags: , , , , , , , , , | 2 Comentários »

Se o objetivo da reforma administrativa do governo federal brasileiro fosse procurar o mínimo de racionalidade, existiriam muitos exemplos ao longo da história do mundo para inspirar este complexo processo. No entanto, parece que se trata somente de reduzir a importância das carreiras no serviço público, dotando o governo da possibilidade de livre nomeação daqueles que lhes sejam convenientes, com simples novos aumentos dos custeios. O exemplo mais conhecido e antigo é o da China, onde se preparava os mandarins, pelos seus méritos, para ajudarem o imperador a administrar aquele gigantesco país. Na Era Meiji, no Japão, foram criadas as universidades imperiais, começando com a de Tóquio, com objetivos semelhantes.

École Nationale d’Administration Publique, França

O que se tornou mais famoso no mundo foi a École Nationale d’Administration Publique da França para formar funcionários públicos para depois passarem a serem parlamentares. Na Alemanha, preparou-se os funcionários do setor fazendário, que ajudou os brasileiros a fazer algo semelhante. No Brasil, na carreira militar existem diversos cursos de nível para se chegar ao generalato, o que se aprendeu com Napoleão Bonaparte. A Fundação Getúlio Vargas tinha no Rio de Janeiro um curso de administração pública e outro de administração privada em São Paulo. A FEA-USP, com professores vindos da Escola Politécnica, passou a contar com condições de formarem administradores públicos, e mais recentemente a London School of Economics criou do curso de Antropologia Organizacional para ministrar sobre o comportamento grupal de funcionários de qualquer tipo de organização. Portanto, existe um amplo cabedal de conhecimentos técnicos para os que desejam efetuar uma verdadeira reforma administrativa, visando o aumento de sua eficiência.

Tivemos oportunidade usar parte destes conhecimentos no Banco Centrai do Brasil e do INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, fazendo com que os funcionários fossem promovidos por mérito e por antiguidade, como está estabelecido na legislação, pois muitos dos seus direitos estão assegurados, não sendo simples promover mudanças. Sem um planejamento prévio bem elaborado, o Judiciário terá que assegurar aos funcionários direitos adquiridos, ficando tudo somente no discurso bem intencionado.

Está se observando no Brasil atual que os funcionários públicos possuem um grande poder político, pois tanto os parlamentares como membros do judiciário dependem dos pareceres elaborados por estes funcionários com longa experiência, que conhecem os detalhes de muitos processos que foram se aperfeiçoando ao longo do tempo. Eles dificilmente atuarão contra seus próprios interesses e conhecem detalhes importantes, que não são do conhecimento dos que eventualmente passam pelo governo por tempos limitados.

Para se conseguir avanços importantes, há que se utilizar os conhecimentos destes especialistas, o que parece que não está acontecendo no momento.


Dificuldades Impossíveis de Serem Superadas Pela Retórica

3 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política, Editoriais e Notícias | Tags: , , ,

Quando o IBGE divulga uma queda histórica do PIB brasileiro de 9,7% no 2º trimestre deste ano, não parece muito feliz que o ministro da Economia Paulo Guedes afirme que isto seja o “barulho de um raio” que caiu no passado. Isto aparenta uma retórica do atual presidente da República que faz muito uso deste tipo de apalavrado, quando as questões que o Brasil enfrenta são muito sérias, necessitando do sacrifício de todos. O risco é que Guedes venha a ser considerado o principal responsável do governo por este pobre desempenho do Brasil, por não contar com condições para obter a colaboração de todos, principalmente da classe política brasileira e da pesada administração pública, incluindo muitos militares.

Paulo Guedes sobre a queda do PIB brasileiro no 2ª Trimestre deste ano afirma que se trata do barulho do raio que caiu em abril

Todos sabem que Paulo Guedes é um economista com parte de sua importante formação feita na Universidade de Chicago, tendo atuado no Brasil no setor financeiro privado, sem uma experiência profunda do setor público. Uma parte de sua equipe já deixou recentemente o governo onde existem muitos que não partilham dos seus pontos de vista. O próprio presidente da República tem feito reparos a sua atuação, de quem tem recebido advertências sobre a necessidade do controle do déficit público. Até agora, apesar de muitos desconfortos, Paulo Guedes continua no principal cargo da área econômica brasileira.

A grande maioria dos economistas brasileiros entende que a economia brasileira só tem condições de uma recuperação lenta ao longo de muito tempo de grandes sacrifícios. No entanto, sempre existem os que acreditam em fórmulas milagrosas para resolver os problemas brasileiros. Resultados econômicos chocantes como os atuais dificilmente são suportáveis politicamente sem algumas mudanças, no caso brasileiro.

Segundo os dados da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o Brasil figura no bloco intermediário da queda do PIB no segundo trimestre com relação ao do primeiro, havendo muitas grandes economias como dos Estados Unidos e da Europa que obtiveram resultados piores. O caso brasileiro é chocante porque não se esperava algo tão elevado, com uma perspectiva futura que não fosse brilhante.

A Folha de S.Paulo publicou diversos artigos tratando do assunto, que merecem a devida atenção.