Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

O Desenvolvimento Tecnológico Chinês

16 de novembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Política, Tecnologia | Tags: , , ,

Enquanto a maioria dos países do mundo está se recuperando da redução do PIB ocorrido neste ano com a pandemia da Covid-19, a China já está com sua economia acima do nível em que estava no começo deste ano. Isto vem ocorrendo principalmente com os lançamentos de clip_image002novos produtos e tecnologias, como o que ocorreu na semana passada na 22ª Feira de Alta Tecnologia da China, em Shenzhen, quando 1.790 novos produtos foram lançados, ao lado de 767 novas tecnologias.  

Um novo trator, utilizado na agricultura, onde a produção de arroz, por exemplo, é feita num polder

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Difícil Substituição do Velho Pelo Novo

4 de novembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Política | Tags: , , , ,

Muitos artigos publicados em todo o mundo sobre as eleições norte-americanas previam a possibilidade que o resultado final poderia ser decidido na Corte Suprema daquele país. Mas a situação parece ter se agravado com a incompetência dos democratas que conseguiram resultados piores onde esperavam, por diagnósticos incorretos dos eleitores com o atual governo republicano, uma vantagem mais expressiva. Todos sabiam que a economia sempre teve importância nas eleições e mesmos resultados dramáticos na pandemia da Covid-19 não motivavam os eleitores a votarem massivamente contra a reeleição. Os resultados provisórios indicam que os democratas contam atualmente com 238 grandes eleitores, contra 212 dos republicanos, necessitando chegar, no mínimo, a 271 destes votos. Se as diferenças fossem mais expressivas, mesmo na Corte Suprema alguns votos dados pelo correio mereceriam considerações menos rigorosas.

Parece claro que o velho sistema eleitoral dos Estados Unidos necessita ser atualizado com todos os novos sistemas que hoje existem no mundo. Um artigo de Marcelo Coelho publicado na Folha de S.Paulo tem o título “Velho morrendo, o novo não nascerá”, usando as observações de Antonio Gramsci feita em torno de 1930, que, lamentavelmente, expressou as condições de surgimento do nazismo e do fascismo, o que só acabou sendo superado pela Segunda Guerra Mundial. Espera-se que os aperfeiçoamentos indispensáveis não tenham custos tão elevados. Até mesmo porque os norte-americanos já não possuem esta importância no mundo, mesmo que ainda seja considerado o país mais relevante no globo.

clip_image002Donald Trump fez um pronunciamento na Casa Branca antes mesmo do término das contagens dos votos, afirmando que, com os resultados parciais, ele era o vencedor da eleição e que os norte-americanos deveriam conhecer os resultados antes da contagem dos votos dados pelo correio, que em alguns Estados terão o prazo de alguns dias.

Donald Trump expressou que era o vencedor com os resultados parciais e contestará alguns votos dados pelo correio, que tem um prazo para a sua contagem, o que foi feito de madrugada

Todos sabem que o sistema eleitoral norte-americano é muito complexo com regras que variam por estados. Depois do que vem ocorrendo atualmente, alguns aperfeiçoamentos devem ser admitidos, pois os sistemas de apuração são arcaicos, mas alterar as regras atuais no momento parece uma violência pouco aceitável.

Mas, dentro da longa tradição que já vigora há mais de um século, estas mudanças não são fáceis de serem implementadas, fazendo que as diferenças regionais e os números dos grandes eleitores tenham algum relacionamento com a população ou habilitados a votar, mesmo que os votos sejam voluntários e não obrigatórios. Os números são elevados e não se conta com estruturas para a sua apuração. que pode incluir outros assuntos estaduais.


Dificuldades Para Joe Biden Chegar à Presidência

1 de novembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Política | Tags: , ,

Se existe um problema difícil de chegar a um consenso é quem vencerá no final o próximo pleito presidencial nos Estados Unidos, mesmo com análises acuradas. Postamos um resumo de uma análise feita pela revista The Economist. Outra entrevista de Ricardo Lessa, publicada no suplemento Eu & Fim de Semana do Valor Econômico, foi feita com a cientista política Wendy Brown, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, que publicou o livro “Nas Ruínas clip_image002do Neoliberalismo: A Ascensão da Política Antidemocrática no Ocidente”. Ela considera o sistema eleitoral norte-americano antiquado, regionalizado, cambaleante e as eleições não são transparentes e justas.

Professora Wendy Brown, da Universidade da Califórnia, Berkeley, em foto no artigo no site do Eu & Fim de Semana, do Valor Econômico, que vale a pena ser lido na sua íntegra

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The Economist Veemente Contra Donald Trump

1 de novembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Política | Tags: , , ,

Ainda que nos Estados Unidos e em muitos outros países os órgãos da imprensa tomem partidos nos pleitos eleitorais, o último número do The Economist surpreende com a clareza da posição com que se coloca contra o governo de Donald Trump, apontando suas principais falhas, e a favor do candidato democrata Joe Biden. Na avaliação do possível resultado, o clip_image002atual presidente é apontado como tendo as mínimas chances de vitória e o candidato democrata praticamente eleito, mesmo admitindo que o assunto possa ser decidido finalmente na Suprema Corte daquele país.

Ilustração usada pela revista The Economist no seu último número, que vale a pena ser lido na sua íntegra

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Nem Tudo Está Perdido

16 de outubro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais e Notícias, Política | Tags: , , ,

Quando se observa que Donald Trump estimula alguns radicais republicanos a colocarem falsas dependências para receberem votos de eleitores para serem enviados pelo correio, lembra o contraste com os velhos peregrinos ingleses que se transferiram para o Novo Mundo. Entre eles, os que ficaram conhecidos como os “pais da Pátria” e elaboraram a base da Constituição dos Estados Unidos. Quando senadores brasileiros que examinam o novo candidato a membro do Supremo Tribunal Federal acham que falsificar o currículo é um mal menor, irrelevante, lembramo-nos da Fernanda Montenegro, com mais de 90 anos, que considera fundamental lutar pela liberdade por toda a sua vida.

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Algumas urnas para votação pelo correio foram falsificadas na Califórnia pelos republicanos

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Os Problemas Não Constumam Estar Isolados

2 de outubro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Política | Tags: , , , , , ,

Os debates frente a frente de dois candidatos à Presidência da República dos Estados Unidos eram aguardados com grande ansiedade não somente naquele país como no resto do mundo. O objetivo principal seria convencer os eleitores ainda indecisos, mas o que se viu foi um dos piores eventos da espécie, sendo que os promotores não estavam preparados para coibir comportamentos difíceis de serem considerados civilizados, sem que o moderador fosse capaz de controlar os excessos. O atual presidente Donald Trump, que está em ligeira desvantagem nas pesquisas de opinião, parecia disposto a tumultuar o debate, na esperança clip_image002que isto levaria o adversário ao descontrole emocional. Mas o que se viu foram agressões do mesmo nível que não dignificam a ninguém. Entre os pontos relevantes, apareciam as infecções e mortes nos Estados Unidos, atualmente os mais altos no mundo, com todas as condições agravantes, econômicas, políticas e sociais.

Telespectadores norte-americanos acompanham o debate dos candidatos à Presidência da República

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O Pior Debate Político nos Estados Unidos

30 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Política | Tags: , , ,

Poucas vezes se viu um tumulto a que foi transformado a grande oportunidade de dois candidatos à Presidência dos Estados Unidos, num debate frente a frente. Desde o começo do evento, ficou claro que Donald Trump estava lá para evitar um debate proveitoso e o moderador, apesar das suas tentativas, não conseguiu o seu intento de um acontecimento que fosse útil para os eleitores norte-americanos que ainda têm dúvidas sobre o seu voto. O atual presidente dos Estados Unidos intervia a toda hora, mesmo quando não estava com a palavra programada, evitando que seu adversário colocasse suas ideias e as questões que estão cercando atualmente o comportamento do atual mandatário. A organização do evento não formulou algo que pudesse ser útil para todos, eleitores como representantes da imprensa, como a possibilidade de desligar o seu microfone ou reduzir o tempo a que ele tinha direito.

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Debate dos dois candidatos à Presidência dos Estados Unidos em foto constante do artigo publicado no site do Estadão, que vale a pena ser lido na sua íntegra

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Perspectivas Eleitorais nos EUA e Influências no Brasil

12 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Política | Tags: , , , ,

A entrevista do presidente Donald Trump, que as pesquisas de opinião indicam estar pouco abaixo do candidato democrata Joe Biden, pode precipitar os resultados na próxima eleição, mesmo que existam ainda os analistas que continuam dando importância à situação da economia norte-americana em recuperação. Na cultura norte-americana, esconder a verdade da avaliação da relevância da covid-19 pode ser algo fatal, mesmo do ponto de vista eleitoral. Os meios de comunicação social dos Estados Unidos estão indicando que as entrevistas concedidas por Donald Trump a Bob Woodward, cujo livro será lançado nos próximos dias, ele que ficou famoso por ter provocado a queda do presidente Richard Nixon no caso conhecido como Watergate. Muitos estão criticando Woodward por não ter antecipado esta informação, reservando-a para o aumento de venda do seu livro.

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Bob Woodward com Carl Berstein, que acabaram provocando a renúncia do presidente Richard Nixon com o famoso caso que ficou conhecido como Watergate

Donald Trump, nas muitas entrevistas concedidas a Bob Woodward, que serão lançadas como um livro nos próximos dias com o título “Rage” (raiva), revela que mesmo sabendo dos riscos da covid-19 preferiu não provocar um pânico na população. O assunto foi apresentado na rede de televisão CNN.

Como já divulgado, esta pandemia provocou somente nos Estados Unidos mais de 180 mil mortes e 6.400 mil afetados, números mais elevados do mundo. Estão seguidos dos brasileiros com mais de 130 mil mortos e 4.200 mil afetados, que podem ser superados com os dados mais recentes da Índia. Os números norte-americanos poderiam ser mais baixos se todos eles tivessem sido alertados no início da pandemia e as autoridades tomadas as providências preventivas adequadas.

Como os Estados Unidos ainda possuem grande importância na comunicação social no mundo, se o presidente Donald Trump tivesse adotado uma atitude não eleitoreira os dados mundiais poderiam ser diferentes, ainda que não se saiba quanto. No caso brasileiro, sabe-se que o presidente Jair Bolsonaro respeita demasiadamente o que os norte-americanos fazem, principalmente o seu presidente, ainda que eles pensem mais nos seus interesses, e o Brasil tenha perdido espaço nos últimos anos na importância no cenário internacional.

Mesmo com todas as ponderações possíveis, inclusive do baixo conhecimento seguro sobre esta atual pandemia, tudo indica que mais informações, mesmo chocantes, poderiam antecipar alguns esforços preventivos da covid-19. Mesmo não havendo um consenso sobre todos eles, como se evitando aglomerações, inclusive sobre o reinício das aulas para os estudantes.

Lamentavelmente, não somente no Brasil, existem muitos que continuam subestimando os riscos das contaminações, com retomadas parciais de muitas atividades, não utilização de máscaras, além das dificuldades de higiene, principalmente das populações menos favorecidas.


As Influências Políticas de Quem Está no Poder

4 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Política | Tags: , ,

Eleições estão previstas em diversos países, para este ano ou nos próximos, mas mesmo que as pesquisas de opinião indiquem possibilidades de mudanças dos grupos que estão no poder, existem fortes indícios que os que se encontram atualmente no governo não podem ser subestimados. Nos Estados Unidos havia pesquisas que indicavam uma boa margem a favor dos democratas que estão atualmente na oposição, mas parece que ela está diminuindo, mesmo com a ocorrência de problemas como os raciais e dos danos causados pela pandemia do Covid 19 e suas amplas consequências econômicas e sociais para a situação. Não se pode subestimar a força dos republicanos comandados pelo atual presidente Donald Trump e seus conservadores.  No Japão, apesar das forças que desejam acelerar as mudanças dentro do próprio Partido Liberal Democrata, muitos analistas afirmam que Yoshihide Suga que tem a preferência do atual primeiro-ministro Shinzo Abe, mesmo não sendo o mais popular nem dentro do seu partido, está entre os favoritos para se tornar o novo primeiro-ministro. No Brasil, mesmo que o presidente Jair Bolsonaro seja criticado por muitos, ele consegue contar até o momento com as condições políticas para a sua reeleição, ainda haja um prazo considerável para tanto.

As pesquisas de opinião davam uma boa margem de vantagem para os democratas, mas elas foram reduzidas nas últimas semanas

No caso dos Estados Unidos, ainda que existam muitos problemas, a economia continua em condições razoáveis, proporcionando empregos para a população local. Donald Trump vem radicalizando os conflitos com os chineses, inclusive na área militar, notadamente no Sudeste Asiático, explorando o sentimento nacionalista norte-americano. Isto vem reduzindo a margem que os democratas possuíam, não se sabendo claramente o que acabará acontecendo num país federativo que tem diferenças dos sistemas eleitorais por estados, não dependendo da maioria popular.

No Japão, que conta com um regime parlamentarista, a preferência do atual primeiro-ministro Shinzo Abe, tudo indica, é ser substituído por Yoshihide Suga, que não tem apoio popular, nem das importantes facções que são relevantes no Partido Liberal Democrata, mas seria de continuidade da atual política japonesa. Parece que o Japão não ousa adotar uma posição de marcante liderança internacional, mantendo um bom relacionamento com os Estados Unidos e os principais países asiáticos, com os quais possui um significativo intercâmbio comercial e econômico.

O Brasil, apesar dos muitos problemas sanitários, econômicos e sociais que não facilitam os relacionamentos com os principais países europeus, procura manter o intercâmbio comercial e financeiro com a China, mesmo com as grandes diferenças ideológicas com aquele país asiático, de forma pragmática. Tudo indica que Jair Bolsonaro dá uma elevada importância para a sua futura possibilidade de reeleição, enfatizando a polarização política dentro do país. Também não se pode subestimar estas suas possibilidades, de seus familiares e de correntes que os apoiem, mesmo que existam muitos outros grupos políticos que não concordem com ele, sendo que os benefícios sociais para os menos favorecidos não tenham condições de sustentabilidade econômica por muito tempo.

Aqueles que têm capacidade política de transformar as aspirações dos eleitores em suas posições, mesmo de forma populista e até demagógicas, podem empolgar a parcela da população a seu favor, o suficiente para a vitória eleitoral. Os usos exagerados dos novos mecanismos eletrônicos das redes sociais acabam tendo consequências, mostrando que os mecanismos tradicionais da democracia sejam contornados de formas perigosas. O que se espera é que as legitimas aspirações dos eleitores acabem prevalecendo nos pleitos eleitorais, mesmo com todos os defeitos que possam existir em qualquer país.


Disputada Sucessão de Shinzo Abe no Japão

31 de agosto de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Política | Tags: , , , ,

Nos bastidores da política japonesa, as mulheres dos políticos costumam ser as mais informadas. O sistema distrital exige que o político esteja em Tóquio, que é a Capital, e sua mulher é quem cuida dos eleitores nos seus distritos. Encontrei uma que me afirmou que não interessava quem seria o sucessor imediato, mas, pensando a longo prazo, havia de se considerar muitos lances à frente, como nos jogos estratégicos como o xadrez, o shogi (xadrez japonês) ou o go (ocupação dos espaços). Mas, quando se trata de uma renúncia antecipada por motivo de doença, o quadro tende a mudar, ficando mais difícil saber o que vai acontecer, principalmente para os leigos, quando o poderoso Taro Aso, que é o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, declara que não estará na disputa.

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Os candidatos potenciais à sucessão no sentido horário a partir do canto superior esquerdo: Shigeru Ishiba, Fumio Kishida, Toshimitsu Motegi, Yoshihide Suga e Taro Kono, constante do artigo no site do Japan Today, que vale a pena ser lido na sua íntegra.

É preciso considerar também que existem facções dentro dos partidos, contando com muitos parlamentares, como a necessidade de coalizão com outro partido para se contar com uma maioria estável. É algo muito difícil, principalmente para os brasileiros, que tendem a pensar somente nas próximas eleições. O secretário chefe do Gabinete, Yoshihide Suga, deve estar entre os que conhecem melhor a situação, figurando como um dos candidatos.

Além dos cargos no governo atual, os potenciais candidatos podem ocupar posições estratégicas dentro do seu partido, o PLD – Partido Liberal Democrata, que vem ocupando por décadas uma posição majoritária, fazendo uma coligação com o Komeito, que quase sempre tem sido seu aliado. Fumio Kishida é o chefe da política partidária, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, considerado de preferência de Shinzo Abe. O ex-ministro da Defesa Shigeru Ishida é considerado o mais popular entre os eleitores, mas menos apoiado pelos parlamentares. Taro Kono, atual ministro da Defesa e ex-ministro de Negócios Estrangeiros, é considerado que entende de mídia social. A situação atual no mundo é considerada fora do normal, com a pandemia atual. Os especialistas consideram que a política japonesa não deve mudar muito com o novo governo. A pesquisa de opinião feita pelo jornal Yomiuri Shimbun deu por ora 24% para Ishiba, muito à frente de Suga e Kishida, com 4% cada.

Como existem muitos problemas importantes em pauta no Japão, tudo indica que as eleições do novo governo se realizem em 15 de setembro próximo, o que é possível, por se tratar de um regime parlamentarista.