Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

A Água Corre Para o Mar…

15 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política, Editoriais e Notícias | Tags: , , , ,

Juntando diversas situações que ocorrem no Brasil, como no Japão, noticiados recentemente pela imprensa, parece possível cogitar-se que os sempre limitados recursos disponíveis no governo sejam aplicados com a maior eficiência possível. Isto que era ministrado nos cursos de planejamento e programação governamental na FEA – USP, que já foram aplicados da melhor forma nas mais variadas localidades e situações no Brasil. Comecemos pelo caso da clip_image002província de Akita, no Japão, onde foi criado o próximo primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, mostrando que lá a situação é das mais difíceis. Todos sabem que Akita fica próxima de Fukushima, onde uma usina atômica contaminou a região e atualmente restam poucos idosos, pois os demais migraram para outras regiões do Japão.

Muitas lojas da região de Akira encerraram suas atividades, onde restam poucos idosos, pois os mais jovens migraram para outras regiões do Japão

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Lições de Política Econômica Vindas do Japão

15 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política, Editoriais e Notícias | Tags: , ,

Quando o novo presidente do Partido Liberal Democrata do Japão, Yoshihide Suga, anunciou que pretende elevar o imposto de renda, para manter a dívida pública daquele país dentro dos limites suportáveis, muitos achavam que ele estava se arriscando onde o Shinzo Abe não conseguiu o apoio necessário. No entanto, em matéria de política econômica, há que se forçar os sempre desagradáveis aumentos dos impostos, ainda quando o futuro primeiro-ministro clip_image002conta com um grande patrimônio político intacto. Se ele conseguir obter o que está propondo, pode ser que esteja mostrando a sua faceta de um verdadeiro estadista.

Yoshihide Suga confirmado como presidente do PLD japonês, que no regime parlamentarista do Japão se torna o próximo primeiro-ministro

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Perspectivas Eleitorais nos EUA e Influências no Brasil

12 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Política | Tags: , , , ,

A entrevista do presidente Donald Trump, que as pesquisas de opinião indicam estar pouco abaixo do candidato democrata Joe Biden, pode precipitar os resultados na próxima eleição, mesmo que existam ainda os analistas que continuam dando importância à situação da economia norte-americana em recuperação. Na cultura norte-americana, esconder a verdade da avaliação da relevância da covid-19 pode ser algo fatal, mesmo do ponto de vista eleitoral. Os meios de comunicação social dos Estados Unidos estão indicando que as entrevistas concedidas por Donald Trump a Bob Woodward, cujo livro será lançado nos próximos dias, ele que ficou famoso por ter provocado a queda do presidente Richard Nixon no caso conhecido como Watergate. Muitos estão criticando Woodward por não ter antecipado esta informação, reservando-a para o aumento de venda do seu livro.

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Bob Woodward com Carl Berstein, que acabaram provocando a renúncia do presidente Richard Nixon com o famoso caso que ficou conhecido como Watergate

Donald Trump, nas muitas entrevistas concedidas a Bob Woodward, que serão lançadas como um livro nos próximos dias com o título “Rage” (raiva), revela que mesmo sabendo dos riscos da covid-19 preferiu não provocar um pânico na população. O assunto foi apresentado na rede de televisão CNN.

Como já divulgado, esta pandemia provocou somente nos Estados Unidos mais de 180 mil mortes e 6.400 mil afetados, números mais elevados do mundo. Estão seguidos dos brasileiros com mais de 130 mil mortos e 4.200 mil afetados, que podem ser superados com os dados mais recentes da Índia. Os números norte-americanos poderiam ser mais baixos se todos eles tivessem sido alertados no início da pandemia e as autoridades tomadas as providências preventivas adequadas.

Como os Estados Unidos ainda possuem grande importância na comunicação social no mundo, se o presidente Donald Trump tivesse adotado uma atitude não eleitoreira os dados mundiais poderiam ser diferentes, ainda que não se saiba quanto. No caso brasileiro, sabe-se que o presidente Jair Bolsonaro respeita demasiadamente o que os norte-americanos fazem, principalmente o seu presidente, ainda que eles pensem mais nos seus interesses, e o Brasil tenha perdido espaço nos últimos anos na importância no cenário internacional.

Mesmo com todas as ponderações possíveis, inclusive do baixo conhecimento seguro sobre esta atual pandemia, tudo indica que mais informações, mesmo chocantes, poderiam antecipar alguns esforços preventivos da covid-19. Mesmo não havendo um consenso sobre todos eles, como se evitando aglomerações, inclusive sobre o reinício das aulas para os estudantes.

Lamentavelmente, não somente no Brasil, existem muitos que continuam subestimando os riscos das contaminações, com retomadas parciais de muitas atividades, não utilização de máscaras, além das dificuldades de higiene, principalmente das populações menos favorecidas.


Shenzhen é Considerado o Vale do Silício da China

4 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais e Notícias | Tags: , , , | 2 Comentários »

A brasileira Tatiana Prazeres é colunista da Folha de S.Paulo e sendo fellow na Universidade de Negócios Internacionais e Economia em Pequim, tendo sido secretaria de comércio exterior na Organização Mundial de Comércio, ela está credenciada para escrever sobre o desenvolvimento tecnológico que continua ocorrendo na China. Com a contribuição de Deng Xiaoping, muitos chineses aproveitaram as oportunidades de estudos no exterior, notadamente nos Estados Unidos. Hoje, ainda que considerado por muitos como politicamente autoritário, o fato concreto é que aquele país vem utilizando intensamente os mecanismos de mercado nos relacionamentos com o exterior, conseguindo ser um exemplo econômico que poderia ser aproveitado por outros países emergentes como o Brasil.  

Shenzhen na China, considerado o Vale do Silício naquele país que se multiplicou por outras cidades

Em Shenzhen é permitido, segundo a autora, que as empresas visem o lucro, demitam pesquisadores, remetam divisas para o exterior há quarenta anos, como a primeira área-piloto para atrair empresas estrangeiras. Hoje, existem 14 cidades na China que replicaram seu exemplo, experimentando mudanças para corrigir seus rumos, de forma pragmática. Provocou-se uma forte descentralização econômica. As maiores empresas chinesas que se voltam às tecnologias mais avançadas chegam agora a 30 mil, conhecidas internacionalmente.

Há um equilíbrio entre as forças do Estado e do setor privado e o que se conseguiu nestas cidades de desenvolvimento tecnológico utilizando o empreendedorismo local. Novas inovações continuam sendo adotadas, intensificando o intercâmbio com o exterior, o que chega a incomodar governos atuais como dos Estados Unidos.

Na atual fase, os chineses voltam-se ao esforço de utilizar o seu expressivo mercado interno, quando os recentes problemas reduziram o ritmo da globalização. Estes exemplos podem ser utilizados no Brasil com as devidas adaptações.

O que parece evidente é que há uma necessidade governamental de pensar em longo prazo, tendo um plano adequado para ser implementado pragmaticamente na medida em que vão ocorrendo mudanças significativas na economia mundial, não se restringindo às percepções emocionais restritas a poucos dirigentes.    


As Influências Políticas de Quem Está no Poder

4 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Política | Tags: , ,

Eleições estão previstas em diversos países, para este ano ou nos próximos, mas mesmo que as pesquisas de opinião indiquem possibilidades de mudanças dos grupos que estão no poder, existem fortes indícios que os que se encontram atualmente no governo não podem ser subestimados. Nos Estados Unidos havia pesquisas que indicavam uma boa margem a favor dos democratas que estão atualmente na oposição, mas parece que ela está diminuindo, mesmo com a ocorrência de problemas como os raciais e dos danos causados pela pandemia do Covid 19 e suas amplas consequências econômicas e sociais para a situação. Não se pode subestimar a força dos republicanos comandados pelo atual presidente Donald Trump e seus conservadores.  No Japão, apesar das forças que desejam acelerar as mudanças dentro do próprio Partido Liberal Democrata, muitos analistas afirmam que Yoshihide Suga que tem a preferência do atual primeiro-ministro Shinzo Abe, mesmo não sendo o mais popular nem dentro do seu partido, está entre os favoritos para se tornar o novo primeiro-ministro. No Brasil, mesmo que o presidente Jair Bolsonaro seja criticado por muitos, ele consegue contar até o momento com as condições políticas para a sua reeleição, ainda haja um prazo considerável para tanto.

As pesquisas de opinião davam uma boa margem de vantagem para os democratas, mas elas foram reduzidas nas últimas semanas

No caso dos Estados Unidos, ainda que existam muitos problemas, a economia continua em condições razoáveis, proporcionando empregos para a população local. Donald Trump vem radicalizando os conflitos com os chineses, inclusive na área militar, notadamente no Sudeste Asiático, explorando o sentimento nacionalista norte-americano. Isto vem reduzindo a margem que os democratas possuíam, não se sabendo claramente o que acabará acontecendo num país federativo que tem diferenças dos sistemas eleitorais por estados, não dependendo da maioria popular.

No Japão, que conta com um regime parlamentarista, a preferência do atual primeiro-ministro Shinzo Abe, tudo indica, é ser substituído por Yoshihide Suga, que não tem apoio popular, nem das importantes facções que são relevantes no Partido Liberal Democrata, mas seria de continuidade da atual política japonesa. Parece que o Japão não ousa adotar uma posição de marcante liderança internacional, mantendo um bom relacionamento com os Estados Unidos e os principais países asiáticos, com os quais possui um significativo intercâmbio comercial e econômico.

O Brasil, apesar dos muitos problemas sanitários, econômicos e sociais que não facilitam os relacionamentos com os principais países europeus, procura manter o intercâmbio comercial e financeiro com a China, mesmo com as grandes diferenças ideológicas com aquele país asiático, de forma pragmática. Tudo indica que Jair Bolsonaro dá uma elevada importância para a sua futura possibilidade de reeleição, enfatizando a polarização política dentro do país. Também não se pode subestimar estas suas possibilidades, de seus familiares e de correntes que os apoiem, mesmo que existam muitos outros grupos políticos que não concordem com ele, sendo que os benefícios sociais para os menos favorecidos não tenham condições de sustentabilidade econômica por muito tempo.

Aqueles que têm capacidade política de transformar as aspirações dos eleitores em suas posições, mesmo de forma populista e até demagógicas, podem empolgar a parcela da população a seu favor, o suficiente para a vitória eleitoral. Os usos exagerados dos novos mecanismos eletrônicos das redes sociais acabam tendo consequências, mostrando que os mecanismos tradicionais da democracia sejam contornados de formas perigosas. O que se espera é que as legitimas aspirações dos eleitores acabem prevalecendo nos pleitos eleitorais, mesmo com todos os defeitos que possam existir em qualquer país.


Reforma Administrativa do Governo Federal

3 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais e Notícias | Tags: , , , , , , , , , | 2 Comentários »

Se o objetivo da reforma administrativa do governo federal brasileiro fosse procurar o mínimo de racionalidade, existiriam muitos exemplos ao longo da história do mundo para inspirar este complexo processo. No entanto, parece que se trata somente de reduzir a importância das carreiras no serviço público, dotando o governo da possibilidade de livre nomeação daqueles que lhes sejam convenientes, com simples novos aumentos dos custeios. O exemplo mais conhecido e antigo é o da China, onde se preparava os mandarins, pelos seus méritos, para ajudarem o imperador a administrar aquele gigantesco país. Na Era Meiji, no Japão, foram criadas as universidades imperiais, começando com a de Tóquio, com objetivos semelhantes.

École Nationale d’Administration Publique, França

O que se tornou mais famoso no mundo foi a École Nationale d’Administration Publique da França para formar funcionários públicos para depois passarem a serem parlamentares. Na Alemanha, preparou-se os funcionários do setor fazendário, que ajudou os brasileiros a fazer algo semelhante. No Brasil, na carreira militar existem diversos cursos de nível para se chegar ao generalato, o que se aprendeu com Napoleão Bonaparte. A Fundação Getúlio Vargas tinha no Rio de Janeiro um curso de administração pública e outro de administração privada em São Paulo. A FEA-USP, com professores vindos da Escola Politécnica, passou a contar com condições de formarem administradores públicos, e mais recentemente a London School of Economics criou do curso de Antropologia Organizacional para ministrar sobre o comportamento grupal de funcionários de qualquer tipo de organização. Portanto, existe um amplo cabedal de conhecimentos técnicos para os que desejam efetuar uma verdadeira reforma administrativa, visando o aumento de sua eficiência.

Tivemos oportunidade usar parte destes conhecimentos no Banco Centrai do Brasil e do INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, fazendo com que os funcionários fossem promovidos por mérito e por antiguidade, como está estabelecido na legislação, pois muitos dos seus direitos estão assegurados, não sendo simples promover mudanças. Sem um planejamento prévio bem elaborado, o Judiciário terá que assegurar aos funcionários direitos adquiridos, ficando tudo somente no discurso bem intencionado.

Está se observando no Brasil atual que os funcionários públicos possuem um grande poder político, pois tanto os parlamentares como membros do judiciário dependem dos pareceres elaborados por estes funcionários com longa experiência, que conhecem os detalhes de muitos processos que foram se aperfeiçoando ao longo do tempo. Eles dificilmente atuarão contra seus próprios interesses e conhecem detalhes importantes, que não são do conhecimento dos que eventualmente passam pelo governo por tempos limitados.

Para se conseguir avanços importantes, há que se utilizar os conhecimentos destes especialistas, o que parece que não está acontecendo no momento.


Dificuldades Impossíveis de Serem Superadas Pela Retórica

3 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política, Editoriais e Notícias | Tags: , , ,

Quando o IBGE divulga uma queda histórica do PIB brasileiro de 9,7% no 2º trimestre deste ano, não parece muito feliz que o ministro da Economia Paulo Guedes afirme que isto seja o “barulho de um raio” que caiu no passado. Isto aparenta uma retórica do atual presidente da República que faz muito uso deste tipo de apalavrado, quando as questões que o Brasil enfrenta são muito sérias, necessitando do sacrifício de todos. O risco é que Guedes venha a ser considerado o principal responsável do governo por este pobre desempenho do Brasil, por não contar com condições para obter a colaboração de todos, principalmente da classe política brasileira e da pesada administração pública, incluindo muitos militares.

Paulo Guedes sobre a queda do PIB brasileiro no 2ª Trimestre deste ano afirma que se trata do barulho do raio que caiu em abril

Todos sabem que Paulo Guedes é um economista com parte de sua importante formação feita na Universidade de Chicago, tendo atuado no Brasil no setor financeiro privado, sem uma experiência profunda do setor público. Uma parte de sua equipe já deixou recentemente o governo onde existem muitos que não partilham dos seus pontos de vista. O próprio presidente da República tem feito reparos a sua atuação, de quem tem recebido advertências sobre a necessidade do controle do déficit público. Até agora, apesar de muitos desconfortos, Paulo Guedes continua no principal cargo da área econômica brasileira.

A grande maioria dos economistas brasileiros entende que a economia brasileira só tem condições de uma recuperação lenta ao longo de muito tempo de grandes sacrifícios. No entanto, sempre existem os que acreditam em fórmulas milagrosas para resolver os problemas brasileiros. Resultados econômicos chocantes como os atuais dificilmente são suportáveis politicamente sem algumas mudanças, no caso brasileiro.

Segundo os dados da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o Brasil figura no bloco intermediário da queda do PIB no segundo trimestre com relação ao do primeiro, havendo muitas grandes economias como dos Estados Unidos e da Europa que obtiveram resultados piores. O caso brasileiro é chocante porque não se esperava algo tão elevado, com uma perspectiva futura que não fosse brilhante.

A Folha de S.Paulo publicou diversos artigos tratando do assunto, que merecem a devida atenção.  


Disputada Sucessão de Shinzo Abe no Japão

31 de agosto de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Política | Tags: , , , ,

Nos bastidores da política japonesa, as mulheres dos políticos costumam ser as mais informadas. O sistema distrital exige que o político esteja em Tóquio, que é a Capital, e sua mulher é quem cuida dos eleitores nos seus distritos. Encontrei uma que me afirmou que não interessava quem seria o sucessor imediato, mas, pensando a longo prazo, havia de se considerar muitos lances à frente, como nos jogos estratégicos como o xadrez, o shogi (xadrez japonês) ou o go (ocupação dos espaços). Mas, quando se trata de uma renúncia antecipada por motivo de doença, o quadro tende a mudar, ficando mais difícil saber o que vai acontecer, principalmente para os leigos, quando o poderoso Taro Aso, que é o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, declara que não estará na disputa.

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Os candidatos potenciais à sucessão no sentido horário a partir do canto superior esquerdo: Shigeru Ishiba, Fumio Kishida, Toshimitsu Motegi, Yoshihide Suga e Taro Kono, constante do artigo no site do Japan Today, que vale a pena ser lido na sua íntegra.

É preciso considerar também que existem facções dentro dos partidos, contando com muitos parlamentares, como a necessidade de coalizão com outro partido para se contar com uma maioria estável. É algo muito difícil, principalmente para os brasileiros, que tendem a pensar somente nas próximas eleições. O secretário chefe do Gabinete, Yoshihide Suga, deve estar entre os que conhecem melhor a situação, figurando como um dos candidatos.

Além dos cargos no governo atual, os potenciais candidatos podem ocupar posições estratégicas dentro do seu partido, o PLD – Partido Liberal Democrata, que vem ocupando por décadas uma posição majoritária, fazendo uma coligação com o Komeito, que quase sempre tem sido seu aliado. Fumio Kishida é o chefe da política partidária, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, considerado de preferência de Shinzo Abe. O ex-ministro da Defesa Shigeru Ishida é considerado o mais popular entre os eleitores, mas menos apoiado pelos parlamentares. Taro Kono, atual ministro da Defesa e ex-ministro de Negócios Estrangeiros, é considerado que entende de mídia social. A situação atual no mundo é considerada fora do normal, com a pandemia atual. Os especialistas consideram que a política japonesa não deve mudar muito com o novo governo. A pesquisa de opinião feita pelo jornal Yomiuri Shimbun deu por ora 24% para Ishiba, muito à frente de Suga e Kishida, com 4% cada.

Como existem muitos problemas importantes em pauta no Japão, tudo indica que as eleições do novo governo se realizem em 15 de setembro próximo, o que é possível, por se tratar de um regime parlamentarista.


Renúncia do Primeiro-Ministro Shinzo Abe do Japão

30 de agosto de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Política | Tags: , , , ,

Ainda que a administração do primeiro-ministro Shinzo Abe chegue ao seu final por motivo de doença, e tenha sido longa e regular, há que se considerar que isto reflete o Japão de hoje, sem uma figura carismática no seu comando. Tanto que não figura uma personalidade que possa ser considerada a favorita para ocupar o cargo que ficará vago, acrescentando a incerteza que predomina hoje no mundo.

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O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, anuncia a sua renúncia por motivo de saúde

Ainda que Shinzo Abe tenha ocupado o cargo de primeiro-ministro do Japão por um período mais longo do que outros que ocuparam o comando daquele país, sua administração é considerada de altos e baixos, não havendo ninguém que tenha sido preparado para ocupar o seu cargo. Já surgem alguns nomes, mas também medianos, sem um carisma que mude a posição do Japão no mundo atual, quando muitas mudanças estão sendo previstas. Talvez isto seja a característica daquele país que em tudo tende a ser burocrático, com muito do poder estando nas mãos de funcionários de carreira.

Os que estavam se preparando para saltos mais ousados ainda não contam com o poder suficiente nos partidos políticos, que estão em fusões ou consolidações, com forças somente em algumas regiões do país. O atual partido no poder deve continuar na sua liderança. Muitos consideram que os japoneses ainda continuam com resquícios da Segunda Guerra Mundial, com forte dependência dos norte-americanos para sua defesa externa. Também não conseguem se livrar dos resquícios da guerra com os chineses e coreanos, e outros vizinhos, o que só podem fazer com vagar, aumentando aos poucos seu poder militar por pressão dos Estados Unidos, que já não têm como sustentá-los na Ásia e no Pacífico.

Do ponto de vista econômico, conseguiram chegar aos primeiros lugares, mas não o suficiente para ser o primeiro ou segundo, ainda ocupados pelos Estados Unidos e pela China. Tudo isto tende a aumentar as dúvidas no mundo, indicando que o mais provável é que nas próximas décadas os japoneses não correrão riscos para tomar atitudes mais ousadas.


R$ 325 Bilhões do Banco Central Para o Tesouro

30 de agosto de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política | Tags: , , ,

Noticia-se em toda a imprensa brasileira que R$ 325 bilhões que estavam no Banco Central do Brasil – BCB sejam transferidos de volta para o Tesouro que é o proprietário da reserva internacional. Para quem não tem familiaridade com o assunto, isto parece algo estranho e que deve envolver riscos na administração das reservas internacionais brasileiras, por decisão do Conselho Monetário Nacional – CMN, o que não é muito usual. Inicialmente, há que constatar que o CMN hoje é composto somente por três pessoas que ocupam importantes cargos na parte econômica do governo federal, presidido pelo ministro da Economia e por dois outros a ele subordinados, o secretário do Planejamento e o presidente do Banco Central do Brasil, o que não é característica de um conselho que deveria refletir opiniões diversas. Desconfia-se que nem reuniões existam neste conselho, mas somente atas elaboradas para terem valor legal. Entre outras funções, O BCB tem não só a

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Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília

administração das reservas internacionais, como evitar bruscas e elevadas flutuações cambiais, expressas basicamente em dólar norte-americano que no momento está num processo de desvalorização. Se há algo difícil de ser projetado é o que acontece no câmbio ao longo do tempo, mesmo para as autoridades monetárias, podendo ocorrer também a valorização do dólar, sendo conveniente manter uma margem de recursos para esta finalidade, pois o BCB não visa “lucros”, como já apareceu na imprensa brasileira. Esta falta de transparência parece uma regra do atual governo.

Muitos consideram que o nível da reserva internacional do Brasil seja elevado, como os recursos para fazer frente a eventuais flutuações. Mas a economia brasileira e a do mundo sofreu uma redução da globalização, uma queda no seu crescimento médio e o comércio internacional continua apresentando diminuição, ao mesmo tempo em que especulações de toda ordem se multiplicam. Muitas eleições importantes devem ocorrer no futuro próximo, não se sabendo claramente quais as políticas que serão adotadas nos próximos governos. O mínimo que se pode dizer é que os riscos aumentaram na área econômica.

Todos constatam que o atual governo brasileiro concentra as decisões no presidente da República e mesmo ministros tomam cautelas para não contrariá-lo. Parece que objetivos eleitorais ganham prioridade, prejudicando decisões econômicas racionais, o que não ocorre somente no Brasil.

Mesmo que se estabeleçam regras para a utilização destes recursos para evitar-se um déficit do Tesouro, não se pode dizer esta decisão seja das mais sensatas, constatando-se as fortes mudanças que estão ocorrendo na economia mundial.