Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

As Mães que Sofreram um Terremoto

20 de Janeiro de 2010
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos | Tags: , , , , ,

A frase acima é o título de um dos capítulos do livro da jornalista Xinran, As Boas Mulheres da China. Em 1992, ela visitou a cidade industrial de Tangshan, reconstruída depois de ser completamente arrasada pelo terremoto apavorante de 28 de julho de 1976, que matou 300 mil pessoas. E diz, então: “compreendi de fato o que significa ser mãe”.

Enquanto estava em Tangshan para fazer entrevistas para o programa de rádio, ela ouviu falar de um orfanato incomum, fundado e administrado por mães que tinham perdido os filhos no terremoto. O orfanato era administrado com o dinheiro da indenização que elas tinham recebido, e fora construído com a ajuda da guarnição local do Exército. Ficava num subúrbio, perto de um sanatório militar. Era um orfanato sem funcionários; muitos o chamavam de uma família sem homens. Viviam ali algumas mães e dezenas de crianças.

Cada mãe ocupava um amplo aposento – modestamente mobiliado, mas aconchegante – com cinco ou seis crianças. Moradias desse tipo são comuns no Norte da China: metade do cômodo é ocupado por um kang, um conveniente conjugado de cama e fogão, construído de tijolos ou de terra. No inverno, acende-se fogo debaixo do kang para aquecê-lo e, à noite, a família inteira dorme em cima dele. O que demarca o espaço de cada pessoa são os acolchoados individuais. De dia, os acolchoados são enrolados e postos a um canto, e coloca-se uma mesinha em cima do kang, que serve de área de estar e comer para a família. A outra metade do aposento é ocupada por guarda-roupas, um sofá e cadeiras para receber visitas.

“Acho difícil imaginar a coragem delas. O tempo as trouxe para o presente, mas a cada minuto, a cada segundo que passou, elas lutaram com as cenas que a morte lhes deixou; e a cada dia e a cada noite arcam com o fardo das lembranças dolorosas de terem perdido os filhos”. Porém, “elas não enclausuraram a sua generosidade materna nas lembranças dos próprios filhos, não mergulharam em lágrimas e sofrimentos, à espera de piedade. Com a grandeza das mães, formaram novas famílias para crianças que perderam os pais”, diz Xinran. “Aquelas mulheres eram a prova da força inimaginável das chinesas”.

Do caos que reina em Port-au-Prince nos chega o horror de notícias de saques, roubos, violências, miséria humana. Mas é certo que iremos ouvir também, e muito, centenas de relatos de edificantes exemplos de solidariedade humana, de compaixão infinita, de esperanças renovadas, e de renascimentos apaziguadores.



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