Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

O Período da Visita de Obama ao Brasil Ficou Inadequado

20 de Março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: , ,

Lamentavelmente, a importante visita do presidente Barack Obama para o Brasil e outros países da América do Sul acabou ficando ofuscada pelos graves acontecimentos no resto do mundo. Os problemas da Líbia e do Japão ocupam as principais manchetes dos sites dos mais importantes meios de comunicação do mundo, como Times e o Financial Times de Londres, The New York Times e The Wall Street Journal, de Nova Iorque, ou Washington Post, da capital dos Estados Unidos, sendo que este último nem menciona a visita na sua página principal. Os asiáticos fazem pequenas referências para estes assuntos que não são de seu interesse, mesmo quando outros problemas mais agudos não estejam em pauta.

Os principais países liderados pelos Estados Unidos, como importantes da Europa, o Reino Unido e a França, se posicionaram contra Kadaffi da Líbia, que continua bombardeando seus inimigos locais, apesar de ter anunciado um cessar fogo, em que ninguém acreditava. Os graves problemas japoneses, com a tentativa de evitar o aquecimento exagerado das suas usinas atômicas de Fukushima, com alguns alimentos já levemente contaminados pela radioatividade são assuntos que preocupam, com razão, todo o mundo. Neste contexto, fica extremamente difícil destacar a viagem, onde muitos assuntos são de interesse bilateral.

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A presidente Dilma Rousseff e Barack Obama em Brasília

Além da pauta de conversação que ficou combinada entre o Itamaraty e a Secretaria de Estado dos Estados Unidos, os dois chefes de Estado e de Governo de ambos os países precisarão incluir estes assuntos que abalam o mundo. É preciso entender que a proposta norte-americana no Conselho de Segurança da ONU não mereceu o apoio do Brasil, que preferiu a abstenção como a Alemanha e a China, diante de falta de habilidade para negociação de um texto mais aceitável para todos, agravando problemas que já vinham se acumulando naquele organismo, onde o Brasil tem a pretensão de uma cadeira permanente, e nesta sessão o país ocupa a presidência.

O Japão é o principal aliado dos Estados Unidos e é um importante parceiro do Brasil, que tem mais de 250 mil trabalhadores morando naquele país que enfrenta uma das maiores calamidades do pós-Segunda Guerra Mundial. É inevitável que tais assuntos passem a fazer parte do comunicado conjunto, ao lado dos acordos de cooperação tecnológica que deve ser o foco principal dos interesses bilaterais.

Brasil e Estados Unidos, duas das maiores potências econômicas desta parte do mundo, possuem interesses comuns e precisam se entender melhor em questões multilaterais e bilaterais, pois desempenham papeis relevantes na liderança de outros países. O mundo passa por um ponto de inflexão na sua história, e a colaboração destes dois países pode contribuir em assuntos vitais do desenvolvimento tecnológico, preparo dos recursos humanos de relevância, abastecimento de energia limpa, suprimento internacional de alimentos, manutenção da ecologia, controles dos fluxos financeiros bem como intercâmbio comercial, governança mundial, disseminação dos princípios democráticos e direitos humanos, entre uma pauta infindável de assuntos de interesse comum.

Todos lidam com limitações que só podem ser superados por entendimentos. Existem mais coisas que nos unem que eventuais aspectos que nos separam, e a maior constância dos contatos podem ajudar a resolver, tanto problemas de cada um dos países, como contribuir para uma melhor coordenação da ação internacional.

Ainda que o momento tenha se tornado inadequado, a importante visita, que deve ser retribuída brevemente, pode plantar sementes importantes e devem atrair as atenções mundiais. Ainda que não se possam ter esperanças exageradas, os dois países passam por uma fase impar, com uma mulher assumindo o comando de um país emergente com preocupações sociais marcantes, assombrando aos que não a conheciam com sua visão e eficiência operacional, e outro afro-americano levado para o posto máximo pelas expectativas de fortes inovações, numa sociedade complexa que se encontra numa fase de desgastes, mas tem todas as potencialidades dos seus recursos humanos, tecnológicos, econômicos e militares para continuar a desempenhar um papel relevante no mundo.



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