Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

A Copa do Mundo e os Protestos Populares

29 de Maio de 2014
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: , , , | 2 Comentários »

As notícias publicadas sobre o Brasil estão aumentando com a proximidade da Copa do Mundo, surpreendendo com a importância que é atribuída ao evento mundialmente. Algumas mais destacadas estão publicando análises mais profundas e ponderadas, ainda que os destaques continuem sendo as análises das diversas seleções participantes e suas chances, dependendo do país da publicação. Mesmo noticiando os protestos populares que ocorrem no Brasil e podem se repetir ainda mesmo no período da Copa, as avaliações tendem a se restringir ao seu verdadeiro significado, informando que o apoio da população está se reduzindo, não desejando que sejam confundidos com os radicais que utilizam a violência como os chamados black blocs, ainda que existam insatisfações com a política governamental local. Também admitem que, depois da primeira surpresa no início de junho último, a ação policial está sendo aperfeiçoada usando meios mais fortes, somente quando eles se mostram necessários.

Duas análises poderiam ser destacadas. Uma do The Economist que é mais influente internacionalmente e vem cobrindo o Brasil mesmo fora do contexto da Copa do Mundo. E outra de Chikako Nakayama, professora de Pensamento Econômico da Universidade de Estudos Estrangeiros de Tóquio, publicada no The Japan Times pela profundidade de sua análise. A imprensa japonesa vem publicando muito sobre a Copa do Mundo e o povo japonês parece esperar que sua seleção, que usa a expressão Samurais Blues alcance o destaque que faça jus ao da sua seleção feminina que passou a chamar-se Nadeshiko, uma planta persistente do Japão, que se tornou campeã mundial na versão daquele sexo, derrotando até as favoritas tradicionais.

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Novo estádio do Maracanã e o troféu Copa do Mundo de Futebol

The Economist faz uma retrospectiva dos acontecimentos desde o início de junho do ano passado, mostrando que muitos da classe média participaram dos primeiros protestos indignados com a violência policial, inclusive sobre os jornalistas que cobriam os eventos de protestos legítimos. Mas, com o tempo, eles se retraíram com o aproveitamento político de alguns, bem como violências dos membros anarquistas do tipo black blocs, ao lado do aperfeiçoamento da ação policial que só passaram a intervir quando da ocorrência de violências.

Reivindicações de toda a ordem, inclusive de atendimento preferencial de invasores de propriedades, de demarcações de terras indígenas e aumentos salariais de diversas categorias profissionais, acabaram aproveitando as oportunidades para conseguir espaços na mídia, inclusive internacional. Poucas reivindicações legítimas foram atendidas.

Muitos atribuem grande importância da Copa para os resultados eleitorais, mas alguns segmentos sociais estão entendendo que se posicionar contra o atual governo não resulta em novos governos, atualmente oposicionistas, que lhes sejam mais simpáticos. O The Economist interpreta que eles tendem a aliviar as pressões. Os membros da classe média que participaram dos primeiros protestos preferem se retrair até temendo pela sua segurança pessoal.

A análise da professora Nakayama é mais profunda, informando que os protestos populares que chegaram a “FIFA Go Home” e “Copa sem o Povo” não se relacionam com os eventos esportivos mundiais desta natureza que se destinavam a usar o esporte como meio para a paz e amizade no mundo. Ainda que existam aspectos de desperdícios de recursos com estádios luxuosos, que poderiam ser destinados para outras finalidades, lembrando que a FIFA tem mais finalidades de negócios com vultosos patrocínios, venda de ingressos e serviços televisivos e de outras naturezas.

Ela registra que as autoridades dos diversos países terão que considerar as pretensões de divulgação do país com as suas possibilidades internas de ora em diante, mencionando que o Brasil pode receber até 600 mil visitantes estrangeiros e 3 milhões de brasileiros para assistir aos jogos da Copa espalhados pelo país fazendo também um turismo interno.

Lembra que as Olimpíadas de 2020 deverão ser realizadas no Japão. Mas o caso mais dramático que cita é que o Vietnã que deveria realizar os Jogos Asiáticos de 2019 retirou a sua pretensão de sede do evento, alegando dificuldades financeiras.

Ela registra que nenhum evento esportivo de importância será mais possível no mundo se não gerar a satisfação da população do país que o sedia, pois o povo acaba sendo a participadora passiva dos mesmos.


2 Comentários para “A Copa do Mundo e os Protestos Populares”

  1. Roberto
    1  escreveu às 09:10 em 30 de Maio de 2014:

    Me parece haver um erro ao se referia a Nadeshiko como “planta persistente do Japão”. Nadeshiko aí se refere a Yamato Nadeshiko, a mulher ideal japonesa (http://en.wikipedia.org/wiki/Yamato_nadeshiko).

    Vale a pena ressaltar que mais da metade dos moradores de Tokyo foram contra as Olimpíadas de 2020. Isso antes de ser escolhida. Me parecem mais congruentes que o povo brasileiro que mudou de posição *após* terem sidos escolhidos. Os motivos são parecidos: em uma economia com fraca performance durante 2 décadas e mais gente passando para a camada pobre da sociedade, porque gastar dinheiro com festa?

  2. Paulo Yokota
    2  escreveu às 18:20 em 30 de Maio de 2014:

    Caro Roberto,
    Obrigado pelo comentário. Pelo que sei o nome da planta é anterior e hoje está sendo aplicada também a essas mulheres dedicadas, como as jogadoras do futebol feminino.

    Paulo Yokota


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