Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Discussão da Viabilidade da Imprensa e as Notícias Rápidas

6 de Março de 2017
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais e Notícias | Tags: , ,

clip_image002Estão aumentando as discussões na própria imprensa sobre a sua viabilidade com a queda das suas receitas com publicidades e assinantes diante da concorrência que sofrem de veículos que utilizam a internet para disseminar informações com rapidez, nem sempre com a precisão desejada. Um dos exemplos é a entrevista do ex-editor chefe do The Guardian para Nelson de Sá, publicado na Folha de S.Paulo. (Brilhante ex-editor chefe do The Guardian, Alan Rusbridger, que não conseguiu manter a viabilidade econômica do importante jornal, mas admite que a imprensa necessita encontrar formas de convivência com o Facebook e a Google)

Também na televisão estas discussões estão aumentando, pois a imprensa é fundamental para as sociedades atuais e é preciso se encontrar mecanismos para manutenção de sua qualidade, que no momento está em queda, com muitos contratos de jovens jornalistas cujos salários são mais modestos, na tentativa de equilibrar suas contas.

Duas observações poderiam ajudar nesta discussão. De um lado, o The New Yorker que se especializou em artigos de maior profundidade continua contando com sua viabilidade econômica. Na entrevista de Alan Rusbridger, também consta que The New York Times e o The Washington Post estão conseguindo o aumento de suas assinaturas, ajudada pelas discussões provocadas em parte pelo presidente Donald Trump.

Embora não seja um especialista no assunto, compartilho da ideia que as redes sociais estão disseminando informações nem sempre corretas, com superficialidade e tirando partido de sua velocidade. Mas parte dos leitores está notando que precisa de informações mais críveis fornecidas por fontes fidedignas, pois podem ser induzidos a posições que necessitam ser posteriormente corrigidas. Ainda que isto ainda ocorra somente com pequena parte dos leitores, mas com lenta tendência lenta para o seu aumento. A solução razoável da situação ainda vai exigir muitas discussões.

Se nós todos tivemos um fracasso, foi no sistema de educação dos jovens. Sua prioridade não está na capacidade de raciocínio, mas de reagirem emocionalmente diante de fatos que lhes são vendidos maciçamente e com grande velocidade. Mas precisamos acreditar que correções acabarão sendo introduzidas, ainda que de forma mais demorada, pois acaba se defrontando com uma nova cultura perigosa. Há que se recuperar também as considerações morais que acabaram sendo afetadas por volumosos escândalos de corrupções.

É preciso reconhecer que os seres humanos tendem a procurar vantagens para si e para o seu grupo. O próprio cristianismo já admitia há séculos que os humanos são todos pecadores. O que parece indispensável é que haja um razoável equilíbrio que permita a sua convivência em sociedade com outros que também têm suas reivindicações, o que nem sempre é possível.

Mas existe uma aspiração geral por um senso de justiça e na medida em que os benefícios do bem-estar conquistado não seja razoavelmente distribuído à sustentação ao longo do tempo tende a se tornar difícil. Um exemplo da dificuldade está na discussão atual da previdência social no Brasil, que está centrada na sua viabilidade, sem considerar a enorme diferença existente entre os privilegiados do Legislativo, do Judiciário e principalmente dos funcionários das estatais, todos que não são renovados na verificação dos seus méritos, enquanto a grande maioria mal pode receber uma aposentadoria correspondente a um salário mínimo, insuficiente para manutenção de sua dignidade.



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