Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Dificuldades Mundiais Com a China

10 de novembro de 2017
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política, Editoriais e Notícias | Tags: , ,

Os veículos de comunicação social do mundo estão noticiando que Donald Trump teria estabelecido com Xi Jinping assinaturas de alguns memorandos de entendimento sobre intercâmbios dos Estados Unidos com a China para não admitir que ele estivesse voltando daquele país com as mãos abanando, além de sua dependência dos chineses para resolver o problema da Coreia do Norte. É evidente que de concreto só se pode contar com a venda de alguns aviões comerciais de grande porte que teria acontecido mesmo sem esta visita. O que parece possível é que investimentos em serviços que continuam crescendo recentemente tenham algumas possibilidades, mas onde os chineses são mais competitivos que outros países.

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Grupos chineses investem nos Estados Unidos e na Europa nos serviços de aluguel de bicicletas, criando até problemas com sua quantidade

Muitos destes serviços que se tornam cada vez mais importantes em muitos países usam as economias de escalas, baseadas nas experiências da China onde as quantidades são sempre astronômicas, enquanto nos países ocidentais as demandas são menores. Não se trata somente de aluguéis de bicicletas, como agora se anuncia que os chineses ingressaram nos aluguéis e vendas de volumosos programas de karaokê, onde também as demandas locais são astronômicas. Com as economias de escala, as empresas chinesas acabam se tornando competitivas nos mercados externos, onde as organizações locais não possuem condições de competição pelas quantidades. Tudo indica que em muitos serviços, que contam com participações expressivas nas economias, os chineses continuarão competitivos com relação às empresas ocidentais, não havendo como neutralizar estas vantagens.

Se já são competitivos em muitos produtos industriais, acaba restando às outras economias os mercados de produtos agropecuários ou de minérios, salvo alguns produtos como aviões, onde oligopólios ocidentais já possuem uma longa tradição. Portanto, ainda que Donald Trump procure um equilíbrio comercial, só conseguirá com uma desvalorização cambial como já ocorreu no passado em outras economias.

Até que, diferente de outras manifestações polêmicas de Donald Trump, ele teve de se curvar à dura realidade, o que permite projetar para as próximas décadas um crescimento da posição da China no mundo comercial, enquanto o dos Estados Unidos continuará modesto, exigindo uma forte desvalorização do dólar norte-americano, como já ocorreu com o yen japonês ou o marco alemão, hoje incorporado ao euro.

Tudo isto exigiria um papel mais relevante da Organização Mundial do Comércio, mas nem os Estados Unidos nem a China parecem caminhar nesta direção, com a contínua perda de importância dos custosos organismos internacionais que estão prestando poucos serviços práticos para uma razoável convivência internacional e com a velocidade desejada.

Também o Brasil passa a depender exageradamente da China, exportando produtos primários, agropecuários e minerais, enquanto os investimentos chineses estão concentrados em obras de infraestrutura como geração e transmissão de energia, que envolvem também fornecimentos de equipamentos pesados e sofisticados que são mais rentáveis.



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