Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Tecnologias de Construção Civil no Brasil

17 de Fevereiro de 2013
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: , , ,

Como os custos dos salários eram relativamente baixos no Brasil, notadamente na construção civil, os avanços tecnológicos que vinham se observando no exterior demoraram a ser adaptadas às condições locais. Comparando com o que já ocorre no resto do mundo, as construções brasileiras ainda era de mão de obra intensiva, com baixo uso de tecnologias avançadas nas elaborações dos projetos, bem como nos usos de materiais pré-fabricados que tendiam a reduzir o tempo de construção, além de outras reduções de custo. Como os custos dos recursos humanos aumentaram significativamente no passado recente no país e as exigências de sustentabilidade estão aumentando, as tendências atuais são no sentido da aceleração das adaptações das tecnologias já empregadas no exterior.

No Japão, por exemplo, há muitas décadas os recursos humanos eram mais elevados, as energias disponíveis escassas e a ocorrência de muitos terremotos forçaram o desenvolvimento de suas tecnologias de construção civil, tanto nas obras públicas como nas edificações comerciais ou residenciais. O planejamento exigia um custo mais elevado, mas na execução dos projetos contava-se com muitos materiais pré-fabricados, reduzindo o tempo de execução, levando-se em consideração a sustentabilidade de um país arquipélago, com longa tradição de conservação do meio ambiente.

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Casart Terra Homeda Panasonic e planta de aproveitamento geotérmico

Como exemplo, vamos utilizar a experiência de um amigo quando construiu a sua casa num bairro de Tóquio. Ele e sua esposa tiveram que frequentar uma empresa de construção por diversas vezes, para escolher exatamente a residência que desejavam que lhes era oferecida virtualmente com alternativas, pelos mais variados ângulos. Todos os detalhes da residência, como quartos, salas, banheiros, cozinha, com todos os pontos de luz, bem como do sistema hidráulico foram exaustivamente discutidos atendendo os desejos do cliente, sob diversos prismas, incluindo a instalação dos mobiliários e demais necessidades de uma residência. Para que houvesse uma convicção completa do projeto escolhido, muitas reuniões foram realizadas para a sua confirmação.

O que necessitavam fazer era somente o preparo adequado do local para a montagem da residência, que já vinha toda preparada em blocos pré-fabricados como banheiros, cozinha e demais instalações, com todos os pontos de energia como de hidráulica, sem a possibilidade de novas mudanças. O problema principal era a entrada de um gigantesco guindaste com todos os componentes da nova residência, pelas limitações da rua onde contavam com o terreno. A montagem da casa não durou mais que poucos dias, simplesmente encaixando as diversas partes.

Hoje existe uma grande preocupação com a energia que vai ser consumida nesta residência. Até mesmo a solar, que depende das insolações e estocagens em baterias, que agora são adicionadas com as utilizações geotérmicas, pela constatação que o solo apresenta uma temperatura mais baixa no verão e mais alta no inverno, comparado com a do meio ambiente.

Os materiais de construção não são inflamáveis, e resistem aos terremotos. Evidente, o custo de planejamento como da pré-fabricação que é industrial pode ser mais elevado, mas quando feito em quantidade, a tendência é pela sua redução. A mão de obra necessária para a montagem, como o tempo necessário para tanto, são significativamente mais baixa que a dos brasileiros.

Isto ocorre também com as construções de infraestrutura como está se observando recentemente na construção de pontes e túneis. Os grandes edifícios comerciais no Japão não demandam mais que seis meses na sua montagem, com todas as suas estruturas e demais instalações pré-fabricadas, todas resistentes a fortes terremotos.

Estes tipos de tecnologias também estão disponíveis em outros países, que também apresentam condições semelhantes com as japonesas. E o Brasil está tendendo a contar com situações semelhantes.

Parece haver um amplo campo para o intercâmbio de tecnologias, pois tive a oportunidade de observar na China que muitas empreiteiras brasileiras estão adquirindo componentes naquele país, quando já existem dimensões de demandas, principalmente para as construções populares, que permitem o uso de tecnologias com materiais pré-fabricados, que atendem muitas condições que seriam desejáveis para o Brasil.



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