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Dificuldades do Governo no Congresso

2 de Fevereiro de 2015
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias, Política | Tags: , , ,

clip_image002Os políticos mais experientes, com longa tradição nas negociações no Parlamento, sabem que o mais relevante acaba sendo o jeito e não o uso da força.

Deputado Eduardo Cunha do PMDB eleito presidente da Câmara dos Deputados

Lamentavelmente, o governo Dilma Rousseff, ainda que reeleita para o segundo mandato, continua com pouca habilidade nas negociações com os parlamentares. Mesmo sabendo que o deputado Eduardo Cunha e o senador Rean Calheiro contavam com melhores tradições de negociações com os parlamentares, entendendo que as presidências das duas casas seriam estratégicas para as reformas indispensáveis, mobilizou seus ministros para utilizar suas influências sobre os parlamentares, tentando reverter as tendências que já estavam claras para os especialistas.

clip_image004Senador Renan Calheiro reeleito presidente do Senado Federal

O governo atual, tanto no primeiro mandato como neste renovado, não conta com os melhores quadros para as negociações políticas, e utilizaou a sua capacidade de convencimento mobilizando os ministros que possuem relacionamentos com os parlamentares, mesmo sabendo que haveria riscos de efeitos adversos. Mas, exagerando na forma de sua mobilização, imaginaram que nos momentos finais das negociações teria a capacidade de reverter, no mínimo na Câmara dos Deputados. Ledo engano, colheu um clima que em nada favorece as futuras negociações.

As presidências de ambas as casas são relevantes para a determinação de suas pautas, que, além das reformas indispensáveis, possuem fortes influências para a escolha do resto das posições da mesa, bem como das comissões que interessam ao governo. Também podem facilitar ou dificultar as comissões de inquérito que podem envolver autoridades do Executivo.

Se tivesse reconhecido antecipadamente que não deveria interferir nos assuntos internos do Legislativo, admitindo os prestígios dos candidatos, poderia contar com o poder de negociação para composições que fossem menos desfavoráveis, que, ainda que sejam possíveis, acabarão custando mais do ponto de vista político.

Ainda que no Senado a solução não seja tão desfavorável, na Câmara, o violento discurso de Eduardo Cunha denunciando as intervenções frustradas dos ministros consolidou uma situação de antagonismo, que poderá ser superada, mas com desgates que poderiam ser minimizados.

É preciso que se aprenda que em política sempre se faz o que for possível, e, mesmo com toda a força do Executivo, ela vai sendo gasta com o tempo e com os erros, dificultando soluções para o futuro. Costa e Silva, que era considerado um militar com pouco conhecimento de política, ensinava que “o poder é como salame, e muitas fatias serão gastas, e, quando menos se percebe, ele acabou”.



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