Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Visão Japonesa do Novo Silk Road Chinês

1 de outubro de 2015
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política, Editoriais e Notícias | Tags: , ,

clip_image002Este site publicou uma visão pessimista dos europeus sobre o projeto geopolítico do novo Silk Road chinês. Um artigo de Masahiro Okoshi, do Nikkei Asian Review, publica outra visão, ainda que os chineses sejam concorrentes dos japoneses.

Ilustração no artigo do site da Nikkei Asian Review

Os japoneses perderam para os chineses a possibilidade de fornecimento dos trens rápidos para a Indonésia, apesar de disporem de tecnologias de melhor qualidade, pois os chineses apresentam características mais adequadas para aquele país, o que também está acontecendo nos Estados Unidos. O Shinkansen japonês é muito eficiente em regiões intensamente ocupadas como o arquipélago japonês, onde o número de usuários potenciais é elevado, apesar dos custos das passagens, o que não acontece necessariamente em outros países. Os chineses, mesmo com velocidades mais baixas, atendem às necessidades de regiões mais amplas, como os observados na Indonésia e nos Estados Unidos, inclusive no Brasil.

A agressividade chinesa na Indonésia é atribuída à sua situação estratégica no controle de uma rota vital para o abastecimento chinês, notadamente de produtos originários do Golfo Pérsico, da África como da Europa, utilizando o canal de Suez. Isto faz parte da concepção geopolítica do novo Silk Road, numa de suas versões marítimas.

Também o artigo registra a aquisição do controle do Kumport na Turquia, perto de Istambul, utilizando o fundo soberano China Investment Corp. em conjunto com a China Merchants Holding e outros investidores chineses. Já iniciaram a operação em julho deste ano, com um capital inicial de US$ 5 bilhões. Este porto turco é considerado estratégico para incrementar as operações com a Europa.

Como este site vem apontando, o novo Silk Road chinês vai aproveitando as vantagens regionais de cada investimento em infraestrutura, e, no caso deste porto turco, evitou-se o uso do AIIB Asian Infrastructure Investment Bank, pelo envolvimento de variados interesses internacionais, quando os chineses preferem controlar de forma mais efetiva o que seja de seu interesse no intercâmbio com a Europa.

Ainda que a China também esteja sendo afetada pela redução do seu crescimento econômico, estas considerações geopolíticas são de visões a longo prazo, com um pragmatismo para conseguirem rápidos retornos localizados, para que o conjunto da concepção vá sendo implementando aos poucos.



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