Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Contágios Internacionais no Mundo Globalizado

9 de Março de 2012
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: , , | 2 Comentários »

Os estudiosos de economia sempre afirmaram que algum comércio internacional é sempre melhor que a sua ausência. Um país pode exportar o que tem de competitivo e importar o que necessita ou encontra mais barato no exterior. O mundo globalizado veio ajudando a maioria dos países no seu desenvolvimento nas últimas décadas, mas a falta de cuidado com os problemas que eles também trazem geraram as crises recentes, provocadas em grande parte pelos exageros dos fluxos financeiros. Eles são muitas vezes maiores que os fluxos comerciais.

Um artigo do site da Bloomberg, escrito por Michael Heath e Andy Sharp, informa sobre as consequências da dívida grega sobre muitos países do mundo. Outro artigo, do The Wall Street Journal, informa que não é somente os Estados Unidos que reclamam do câmbio desvalorizado da China, mas até seus vizinhos asiáticos. E os países desenvolvidos acabaram criando um tsunami de recursos financeiros que está prejudicando a todos, ainda que deem a ilusão de uma recuperação temporária de suas economias.

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Os australianos cortam seus empregos, a Coreia se preocupa com a diminuição de suas atividades, o Japão aumenta a sua dívida pública. Os países asiáticos do Pacífico preocupam-se em neutralizar estes efeitos, mantendo juros mais baixos. As dificuldades chegam ao Canadá, enfim, todos no mundo sentem a contração de suas economias. As expansões anteriores ficam esquecidas e somente os problemas atuais são enfatizados.

O encaminhamento dos problemas gregos melhoram as bolsas de valores, mas os problemas continuam, pois o Japão enfrenta problemas agravados pelos desastres naturais. Sua dívida pública começa a preocupar investidores externos, ainda que a quase sua totalidade esteja financiada pelos próprios japoneses, que também procuram obter resultados no exterior.

Economistas como Aaditya Mattoo, do Banco Mundial; Prachi Mishra, do Fundo Monetário Internacional; e Arvind Subramanian, do Instituto Peterson de Economia, afirmam que as exportações chinesas afetam as dos países emergentes e em desenvolvimento, que concorrem mais de perto com elas.

O que nem sempre se explica é que o yuan chinês está atrelado ao dólar norte-americano que vem se desvalorizando com a emissão brutal do Tesouro dos Estados Unidos. Os pesquisadores analisaram 124 exportadores de países em desenvolvimento (os mais pobres) entre os anos 2000 e 2008, abrangendo 6.000 produtos.

Com a redução do crescimento econômico em todo o mundo, até a China vem alterando a sua política, procurando expandir o seu mercado interno para depender menos das suas exportações.

No mundo globalizado, que incorporou no processo produtivo mundial milhões de recursos humanos antes subutilizados, os empregos dos países que não se ajustaram à nova realidade acabaram sendo afetados. Enquanto os governos tiverem condições de manter o seu câmbio desvalorizado, e não houver alguma regulamentação global sobre os fluxos financeiros, as dificuldades continuarão a se agravar.

Há que alcançar um mínimo de entendimento visando uma convivência mais razoável para todos.


2 Comentários para “Contágios Internacionais no Mundo Globalizado”

  1. Yoshio Hinata
    1  escreveu às 11:26 em 11 de Março de 2012:

    Caro Yokota-san,
    Realmente o comercio internacional entre nacões existe, pelas vantagens comparativas de cada pais produtor.
    Só que o Brasil com todas as vantagens, ainda permanece basicamente como exportador de produtos primarios.
    Existem “n” fatores, e a vista dos politicos são somente para barreiras comerciais (caso recente com o México).
    Será que o Brasil não perdeu o bonde da historia por não ter avançado no custo Brasil, quando implatou o Real?
    Não diminuiu o tamanho do Estado? Não implantou o imposto único, que foi a bandeira do então deputado Marcos Cintra?
    Nosso produto agregado não consegue competir lá fora, pelos altissimos custos trabalhistas e impostos e também não investimos em pesquisas e desenvolvimento? Quando teremos um Premio Nobel? Enquanto isso ficamos a merce do especulativo fluxo financeiro internacional, que é mais lucrativo e sem dor de cabeça.

  2. Paulo Yokota
    2  escreveu às 18:05 em 11 de Março de 2012:

    Caro Yoshio Hinata,

    Obrigado pelos comentários. Infelizmente o Brasil adotou muitas políticas que privilegiavam os problemas internos, preocupando-se pouco com sua competitividade internacional.Como posstei num artigo neste site, um Estado grande não significa necessariamente má performance econômica, como mostram os países escandinavos. O problema é que o Brasil não proporciona os serviços públicos que deveria oferecer. Não há nenhum país que vive somente de um imposto, a não ser pequenos países que vivem somente da exploração do petróleo. Que tecnologia é a chave do problema, todos concordam, e estamos melhorando aos poucos em nossas pesquisas.
    Os países que possuem um grande mercado interno acabam sofrendo algumas distorções, mas parece que estamos corrigindo, pois necessitamos criar as divisas indispensáveis para arcar com as importações sempre necessárias.

    Paulo Yokota


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