Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Importantes Suplementos do Valor Econômico

27 de Março de 2013
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: , , , ,

Uma forte marca do jornal Valor Econômico vem sendo a elevada qualidade dos seus muitos suplementos, alguns decorrentes de simpósios sobre estes assuntos, outros regulares que cobrem adequadamente as principais questões setoriais. Quando o Brasil enfrenta problemas graves dos gargalos na sua desgastada infraestrutura com o escoamento de uma grande safra agrícola, o novo suplemento setorial sobre logística parece oportuno, pois tratam da aceleração das concessões, tanto nas rodovias, ferrovias como nos portos principalmente.

O suplemento especial sobre a construção civil informa sobre o impacto da elevação dos salários, forçando a introdução de novas tecnologias, com maior eficiência, para as diversas obras. Informa-se que a produtividade do setor elevou-se em 20% numa década, o que aparenta ser somente o início de um longo processo que deverá se acelerar nos próximos anos. Comparando-se com o que ocorre no mundo desenvolvido, que apresenta acentuados desafios nesta área, como o Japão, o tempo de construção de um grande edifício ainda é elevado, mesmo que tenha se reduzido de três a quatro anos para dois anos e meio. Os japoneses o conseguem em poucos meses.

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A infraestrutura de transportes no Brasil encontra-se nesta situação, pois os investimentos feitos no setor nas últimas décadas foram inexpressivos. O desgaste do que já existia levou ao calamitoso estado atual, para o transporte de qualquer natureza, independente da necessidade do escoamento de uma grande safra.

O normal era o país ter avançado na construção de uma rede de silos para que a produção não tivesse que ser escoada rapidamente, ao mesmo tempo em que parte substancial da produção poderia passar por uma agregação de valor, pela sua industrialização. No caso da soja, por exemplo, grande parte da exportação poderia ocorrer na forma de rações e óleos que resistem o tempo suficiente para um escoamento melhor organizado ao longo de meses.

Espera-se que com as concessões que devem ser aceleradas, contando com a participação do setor privado, tanto os custos destas obras como suas operações possam ganhar em eficiência, informando-se que existe uma lista que implica em mais de R$ 200 bilhões de investimentos.

Uma parte substancial destes projetos será financiada por organismos como o BNDES, mas a modernização deverá ocorrer com uma melhoria nos meios de transportes que serão utilizados. Para muitos deles, as ferrovias poderiam ser mais eficientes, como foi feito no passado com os chamados Corredores de Exportação, que envolviam silos, vagões graneleiros, moedas e aparelhamentos adequados nos portos para escoamento de granéis sólidos. O Brasil já conta com experiências importantes, pois sempre foi um importante exportador de minérios.

Os operadores logísticos hoje podem combinar cargas, contando também com os de retorno, de forma que o sistema todo seja melhor aproveitando, proporcionando a eficiência necessária para a conquista da competitividade. Seria desejável um planejamento sistêmico como o que foi efetuado no passado pelo Geipot – Grupo Executivo da Indústria de Transportes.

O Brasil é ainda um país que utiliza pouco das hidrovias, mas as principais barragens para aproveitamentos hidroelétricos já contam com eclusas para possibilitar também este tipo de transporte. Na medida em que a produção vai se estendendo para a região norte e nordeste, as possibilidades destes aproveitamentos ganham maiores oportunidades.

Muitos dos sistemas têm algo a copiar da tecnologia já desenvolvida para os transportes contínuos dos minérios. Se maior parcela da produção agrícola estiver industrializada, como nas formas de rações ou óleos, a viabilidade de escoamentos ao longo do ano se amplia, principalmente porque a produção já se realiza mais do que numa safra, com o uso de irrigações. As novas concessões para os inúmeros portos e terminais devem provocar um processo de descentralização, permitindo que a exportação ocorra ao longo do extenso litoral brasileiro.

Na construção civil, o favor determinante das mudanças tecnológicas é a elevação dos salários, que induz a utilização de equipamentos proporcionando ganhos de produtividade e de redução no tempo da execução das obras. Ainda há que se elevar o percentual de material pré-fabricado, de forma que as construções como de edifícios sejam uma simples montagem como ocorre no Japão e em outros países onde os recursos humanos são escassos.

Mas, para tanto, os projetos terão que demandar discussões mais prolongadas, pois não se contará mais com a flexibilidade para a mudança do projeto na fase de sua execução. Deve-se lembrar de que uma residência japonesa é montada em poucos dias, e edifícios de dezenas de andares em poucos meses, com evidentes ganhos de eficiência e produtividade.

Ainda que todos estes processos já estejam em marcha, tudo indica que se trata somente do seu início, com muitos aperfeiçoamentos a serem introduzidos ao longo do tempo. Muitos ficam impressionados com a velocidade com que hoje se constrói uma ponte, e o mesmo deverá ocorrer também com as demais obras de construção civil, necessitando do preparo adequado de recursos humanos para estas mudanças.



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