Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

A Posição Dominante no Jornalismo Econômico

6 de Fevereiro de 2014
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias | Tags: , , , ,

Muitos estão percebendo que na imprensa nacional como mundial predominam matérias que se relacionam com as flutuações de curto prazo das economias, passando muitas vezes rapidamente de exageradas euforias para pessimismos. O artigo de Jon Hilsenrath do The Wall Street Journal publicado em português no Valor Econômico refere-se às visões dos mercados mundiais que vão do otimismo à angústia num curto espaço de tempo. Na Folha de S.Paulo, o colunista Marcelo Miterhof analisa seus pontos de vista sobre o jornalismo econômico que atualmente exagera no pessimismo. Seria interessante examinar o que estaria provocando tendências desta natureza.

É evidente que imprensa procura atender às preocupações mais agudas dos seus leitores, e entre eles estão os que acompanham os mercados nas suas flutuações de curto prazo, hoje com grande disponibilidade de dados de acesso rápido por meios como a internet, acabando por exacerbar as impressões que não fornecem o quadro completo, considerando também as tendências de longo prazo. Muitos que continuam atuando nas bolsas e nos mercados financeiros tendem à neurose no seu anseio de recuperações rápidas e acabam ficando frustrados com as mais lentas que ocorrem no lado real da economia.

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Os que operam nos mercados financeiros tenderam à impaciência, não se interessando pelas informações relacionadas à geração de tecnologias que, para aumentar as eficiências das atividades produtivas, demandam naturalmente um tempo mais longo. Até as produções agropecuárias necessitam, normalmente, das épocas para providenciar o seu início, os períodos para as suas maturações, trabalhos de colheita até que elas sejam colocadas do mercado, mesmo contando com sofisticações como as operações no mercado futuro e com índices de suas cotações.

Quando se tratam de infraestruturas e atividades nas indústrias de base, os tempos envolvidos são mais longos, com a preparação do projeto e estudos sobre as suas viabilidades, as tecnologias necessárias, montagem das equipes de recursos humanos, financiamentos de longo prazo indispensáveis até quando os retornos sejam obtidos. Muitos já não contam com paciência para estes processos que demandam prazos longos.

Todos almejam resultados on time que podem ser obtidos pelo simples clicar alguns comandos nos computadores, obtendo lucros ou prejuízos instantâneos. E o jornalismo econômico, tanto escrito como o que utiliza instrumentos eletrônicos, acaba entrando nesta onda, com análises normalmente superficiais, considerando somente alguns dados, sem uma visão global em que está inserida a economia, que depende também de outros cenários, como a política e o mercado global.

É preciso entender também que os meios de comunicação são, normalmente, sustentados pelas instituições financeiras, com seus anúncios e patrocínios, pouco se interessando por assuntos mais profundos e trabalhosos, ainda que eles sejam mais relevantes para as tendências de longo prazo das diversas economias.

No fundo, a humanidade necessita de alimentos, locais para morar e trabalhar, roupas para vestir e meios para se locomover. São coisas reais, que dependem da produção, muitas vezes financiadas, suas comercializações que dependem da logística até que cheguem aos consumidores finais, envolvendo muitas incertezas ao longo deste processo.

Os seres humanos não vivem do consumo de dados que são fornecidos pela internet, ainda que eles atuem no sentido de agilizar muitas tarefas indispensáveis para que a produção se realize. Normalmente, as produções físicas necessitam de minérios que são consumidos como matérias-primas ou formas de energia, como de solos onde se realizam muitas produções, como as agropecuárias. Estes recursos não variam tão rapidamente como muitos operadores desejariam, são mais estáveis. Sobre eles atuam os recursos humanos que demandam tempo para serem formados e treinados adequadamente, e que necessitam de assistências como as médicas, bem como perspectivas com relação ao seu futuro.

Os que parecem mais relevantes para a humanidade são mais estáveis, apresentam flutuações mais lentas. O Brasil conta com muitos deles, em abundância, contando com melhores condições de serem utilizados racionalmente, com sustentabilidade, dependendo do que a sua população necessita, e as autoridades governamentais não devem atrapalhar muito para que sejam adequadamente utilizados, com formas mais eficientes possíveis. Estas seriam as funções fundamentais da economia que deveriam ser informadas, para que sejam executados com um razoável consenso da população, que são os seus legítimos proprietários.



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