Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Shinzo Abe Escreve no Project Syndicate

7 de Janeiro de 2014
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, Política | Tags: , ,

É mais que natural os governantes defenderem sua política mesmo que tenham algumas dúvidas íntimas sobre ela. O primeiro-ministro Shinzo Abe não é uma exceção e os muitos resultados que estão sendo alcançados pela sua política que ficou conhecido como Abeconomics são ressaltados, minimizando as dificuldades que sempre existem, tanto internas como externas, que podem comprometer o futuro do seu ousado programa. Depois de uma primeira sinalização que a economia japonesa sai do seu longo marasmo, tendo conseguido a desvalorização do yen, uma recuperação da bolsa de valores e uma saída da deflação, ele ressalta agora a “surpresa salarial”, que é contestada por analistas mais críticos. Ele informa que teve reuniões na companhia dos seus ministros da Economia e do Trabalho com líderes empresariais como Akio Toyoda da indústria automobilística Toyota e representantes dos assalariados como Nobuaki Koga da Confederação Sindical do Japão, sentindo-se estimulado no prosseguimento de sua política.

O que ele persegue é reverter à tendência que se observava no passado no Japão, quando os assalariados sofriam uma queda anual dos seus salários médios em 0,8% anual desde o ano 2000, o que não permitiria um aumento da demanda interna de forma sustentável. Enquanto nos Estados Unidos e no Reino Unido o aumento médio anual era de 3,3%, e 2,8% na França. Mesmo assim, as empresas japonesas só conseguiam aumentar o seu endividamento. Alguns analistas informam que estes tipos de comportamento econômico dependem do setor privado e não podem contar com intervenções do governo, como quando se estabelece a participação feminina nas empresas, notadamente nas posições de decisão.

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Primeiro-ministro japonês Shinzo Abe

Suas principais dificuldades parecem originárias de sua tendência nacionalista que acabou irritando os chineses e os coreanos, criando problemas para seus aliados norte-americanos. A alegação que o TPP – Trans-Pacific Partnership seria um dos instrumentos de reforma, junto com as Zonas Especiais de desregulamentação para ativação da participação do Japão no comércio internacional, parece que já gerou resistências dos principais países vizinhos, aprofundando as tensões militares. Que se somam às disputas de ilhas no Extremo Oriente.

Na melhoria da distribuição dos frutos do desenvolvimento, Shinzo Abe afirma estar inspirado no que aconteceu na Holanda para sustentar o emprego e domar a inflação em torno de 1980. Os críticos afirmam que estas exageradas intervenções da época do MITI – Ministério de Indústria e Comércio Exterior estão ultrapassadas, havendo necessidade uso mais amplo das contribuições do mercado.

Ele se defende afirmando que o governo deve ajudar na formação do consenso entre as empresas e os trabalhadores. Trabalhando juntos, poderiam estabelecer os incentivos para aumento da produtividade. Na realidade, o aumento da produtividade é que deve provocar os aumentos dos salários reais.

Como o governo necessita elevar a sua tributação diante de uma dívida pública crescente, ele espera que as melhorias do salário real devam contribuir para a sustentação da economia japonesa, denotando que existe um resquício intervencionista acentuado, que já parece abandonado no resto do mundo.



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