Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Haja Desafios para Estimular a Criatividade

1 de janeiro de 2019
Por: Decio Yokota | Seção: Cultura, Economia, Editoriais e Notícias | Tags: , ,

Uma gigantesca área tombada de 27 419 metros quadrados onde ficava o Hospital Matarazzo era certamente um dos maiores desafios existentes no mundo. Um ousado empresário francês, Alexandre Allard, resolveu utilizar toda a sua criatividade, já comprovada em outros empreendimentos no mundo, para imaginar algo difícil de ser pensado, principalmente num país como o Brasil, que tem uma capacidade incrível de criar obstáculos. Só se pode desejar sucesso para a sua admirável ousadia.

Foto da antiga Maternidade Matarazzo e capa do suplemento Veja São Paulo, com a figura de Alexandre Allard, o bilionário francês que aceitou os desafios existentes com o tombamento, usando toda sua criatividade para superar os obstáculos existentes. A matéria completa do suplemento Veja São Paulo merece lida na sua íntegra.

Todos os meus três filhos nasceram nesta maternidade e por ter exercido o comando de um hospital tradicional em São Paulo, posso dizer que conheço parte dos principais obstáculos que envolvem a falência deste conjunto criado pelo industrial italiano Francisco Matarazzo no início do século XX. Somente um excepcional, criativo e ousado empresário internacional seria capaz de se envolver num empreendimento imobiliário para esta área, muito bem descrito por Arnaldo Lorençato no suplemento Veja São Paulo deste início de 2019. Parte do novo empreendimento está previsto para estar funcionando ainda neste próximo ano, e deverá ser inaugurado em maio de 2020 segundo os planos. Eu diria que é uma loucura que poderá dar certo, pois acredito que a criatividade fica estimulada pelo impossível.

Foto da situação recente da Capela Santa Luzia constante do conjunto do Hospital Matarazzo tombado, que figura na Google. O artigo no suplemento Veja São Paulo merece ser lido na sua íntegra.

A descrição do novo empreendimento impressiona a qualquer pessoa que conheça o que está se realizando no mundo, mesmo na Ásia que vem apresentando projetos de elevado custo e alto luxo, notadamente na China, no Japão e em Cingapura. Na escolha dos granitos nacionais para os revestimentos mostra o cuidado que está sendo tomado, tanto para a escolha dos mesmos, como seus tratamentos visando efeitos raros nos acabamentos finais.

O conjunto deverá contar com muitas instalações para atender não somente os milionários brasileiros, como os mais bem dotados visitantes estrangeiros. Fala-se que o conjunto contará com 34 restaurantes, envolvendo o Le Jazz Brasserie que já faz sucesso em suas três filiais paulistanas.

O empresário Alexandre Allard menciona outros empreendimentos adicionais na região, pois os que conhecem São Paulo se preocupam com o trânsito que deverá se intensificar naquela parte da metrópole paulistana. Todas as cifras citadas no artigo de Arnaldo Lorençato acabam se comparando com os asiáticos.

Alguns profissionais mencionados no artigo já contam com trabalhos comprovados no Brasil, mostrando o cuidado na seleção de uma equipe que também conheçam as peculiaridades brasileiras que não são poucas. Todos os empreendimentos ousados como o presente apresentam novos obstáculos que vão se acrescentando, ainda que no seu planejamento o máximo cuidado tenha sido tomado envolvendo margens para adaptações.

Pode-se dizer que o Brasil aparenta ser uma caixa de surpresas, mesmo que os tempos atuais apresentem condições propícias para os mais ousados em todo o mundo.  Este projeto pode ser motivador de outros investimentos estrangeiros no país, até porque anos de relativa estagnação deixaram espaços que podem ser aproveitados. Mas, que os riscos continuam sendo elevado, ninguém pode negar. As dificuldades presentes, muitas já superadas, podem proporcionar retornos também excepcionais. As agilidades para adaptações sempre precisam ser consideradas, mas até agora só houve razões para qualificar o empreendedor principal deste projeto.


Pacto Comercial TransPacifico Sem os EUA

1 de janeiro de 2019
Por: Decio Yokota | Seção: Economia e Política, Editoriais e Notícias | Tags: , ,

Apesar dos Estados Unidos continuarem fingindo que possuem a importância do passado, mantendo uma posição como se fosse ainda à polícia do mundo, o fato concreto é que mesmo seus aliados mais próximos começam a se movimentar sem a sua participação como no novo Pacto Comercial TransPacifico, que tem como seus primeiros seis países a Austrália, o Canadá, o Japão, o México, a Nova Zelândia e Cingapura. Brunei, o Chile, a Malásia e o Peru estava entre os primeiros que aderiram ao acordo.

Foto dos representantes dos 11 membros do TransPacific Partnership, que entrou em vigor neste dia 29 de dezembro de 2018, com a reunião realizada em Santiago do Chile, foto publicado no artigo do site no Japan Today.

O acordo reduzirá as tarifas sobre produtos industriais e agrícolas, facilitará as restrições ao investimento estrangeiro e aumentara a proteção da propriedade intelectual. Os participantes do acordo representam 13% do PIB mundial e 500 milhões de habitantes, equivalendo quase à Comunidade Europeia. Grã-Bretanha, Colômbia, Indonésia, Coréia do Sul e a Tailândia se mostraram interessados em participar do Acordo, que deverá ter uma nova reunião em 19 de janeiro próximo em Tóquio.

O Japão eliminará as tarifas de importação em 95% dos produtos, com alguns produtos chaves como arroz e carne bovina continuando a receber certa proteção por algum tempo. Suas importações deverão aumentar ao mesmo tempo em que exportações de seus veículos, por exemplo, devem aumentar em componentes para o Canadá, que ainda contam com 6,1% de tarifas para veículos exportados para os Estados Unidos, que deverão chegar à zero em 2022.

As autoridades japonesas estimam que o acordo ajude a elevar o PIB japoneses em cerca de 1,5% ao ano a partir da base de 2017. O Japão também já firmou acordo com a União Europeia que entrará em vigor no dia 1º de fevereiro próximo.

O Brasil terá que adotar uma política externa comercial mais flexível, não ficando atrelado aos Estados Unidos que nunca privilegiou o nosso país. Sem novos acordos comerciais, que estão difíceis de ser estabelecida a economia brasileira pode ficar prejudicada com as mudanças que estão ocorrendo no resto do mundo.


Dados Positivos e Animadores no Brasil

29 de dezembro de 2018
Por: Decio Yokota | Seção: Economia, Editoriais e Notícias | Tags: , ,

A Datafolha informa que o otimismo dos brasileiros chegou aos pontos mais elevados desde quando estas pesquisas começaram a ser efetuadas em 1997, o que certamente é um dado relevante, ainda que aquela instituição alerte que nos começos dos novos governos elas tendem a melhoras. A Folha de S. Paulo noticia que em Araçuaí, no Vale do Jequetinhonha, estão ocorrendo muitas solicitações para lavra do lítio que é um minério estratégico para as baterias de grande porte, usadas nos veículos elétricos como para armazenar eletricidades decorrentes das captações de energia solar e eólica. Outras regiões do Nordeste brasileiro também estão sendo cogitados para pesquisas.

Minérios que contém lítio explorado no Vale do Jequetinhonha.

O lítio é um minério estratégico para as baterias mais eficientes utilizadas atualmente no mundo, tantos nos veículos elétricos como nas captações de grande escala da energia solar ou eólica. Normalmente é encontrado nas grandes salinas como no Chile, no Peru e na Bolívia, mas se sabia que no Brasil havia algumas minerações no Nordeste, que costuma contar com solos salinos, informações de um artigo elaborado por Nicola Pamplona informa que os requerimentos para pesquisas minerais aumentaram significativamente em 2018, chegando a 117 casos, estimando-se as reservas brasileiras tenham chegado a 145 mil toneladas em julho de 2018.

As maiores reservas conhecidas estão no Chile, na China, na Austrália e na Argentina, sendo que as brasileiras ainda são modestas, mas pesquisas adicionais poderão apresentar projetos que tenham viabilidade econômica razoável.

No que se refere ao otimismo atual dos brasileiros, o artigo de Igor Glelow publicado na Folha de S. Paulo dá indicações das esperanças dos brasileiros com as mudanças que estão sendo anunciadas com a eleição do novo governo. É evidente que estão baseados em alguns dados positivos como a redução dos juros e da inflação, mas possuem um forte componente de uma população emocional que necessitam ser atendidas por revisões profundas que encontrarão as resistências tradicionais, notadamente daqueles que estão no setor público e imaginam que gastos podem ser aumentados sem consequências graves.

O Brasil tem recursos naturais e humanos para continuar aperfeiçoando o seu setor de agronegócios, que mesmo com as incertezas que pairam no mundo, podem contribuir para um desenvolvimento razoável, principalmente se acompanhado de pesquisas que superem as dificuldades das irregularidades climáticas. Como os avanços como na indústria estão modestas por um longo período, as bases com que os dados futuros serão comparados podem apresentar cifras positivas, que ajudarão a sustentar este otimismo.

Com um mínimo de racionalidade, com os membros do novo governo evitando pronunciamentos bombásticos característicos das campanhas eleitorais, o Brasil mesmo com suas inúmeras limitações continua contando com condições competitivas no mundo, podendo proporcionar melhores significativas para a melhoria do padrão de vida de sua população, que aspira reduções expressivas das criminalidades, para poder trabalhar em paz.


Dificuldades Agrícolas dos Estados Unidos

29 de dezembro de 2018
Por: Decio Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias | Tags: , , ,

Um artigo escrito por Gracy Olmstead e publicado no site do The New York Times evidencia as dificuldades da atual legislação norte-americana, chamada Farm Bill, que atribui subsídios de perto de US$ 900 bilhões anuais em 2018 para os grandes agricultores, contemplando até parentes que não possuem atividades rurais, sem que se supere a crise que já se prolonga naquele país por cinco anos neste setor. Isto indicaria que o país que já passou pelo pico de desenvolvimento, principalmente em outros setores como de serviços, enfrenta dificuldades para ajustar-se a nova situação mundial, sem saber o que fazer no atual governo de Donald Trump, sendo superados por outros que ocupam posições mais importantes no abastecimento mundial, como exportando para a China. 

Sacos de milho e soja enfileirados em Gingerich Farm, Ilinois, no mês de novembro deste ano, sem que se saiba o que fazer com os mesmos, foto constante do artigo no site do The New York Times

A primeira Farm Bill foi lançada em 1933 nos Estados Unidos para superar a Depressão de 1929. 85 anos depois continua sem ter conseguido um desenvolvimento sustentável na agricultura daquele país, apesar dos volumosos subsídios, mantendo simplesmente o status quo, sem que tenha provocado algo como a Revolução Verde que se estendeu pelo mundo, beneficiando países emergentes como o Brasil, o México e as Filipinas. Muitos dos beneficiados pelos subsídios naquele país nunca puseram os seus pés nas fazendas, vivendo nas grandes metrópoles. As medidas que poderiam provocar mudanças por encorajarem medidas próprias para o gerenciamento das terras, como rotações de culturas, produções orgânicas e outras acabaram sendo cortadas nos seus recursos. Que estas lições negativas chamem também a atenção das autoridades brasileiras, pois o setor rural exige uma constante vigilância, notadamente nas pesquisas, visando manter o setor sustentável à longo prazo. O abastecimento interno faz parte da segurança nacional, pois já houve períodos em que países importantes no mundo sofreram boicotes no seu suprimento,

Mesmo que outros setores da economia possam sustentar estrategicamente um país, um mínimo de equilíbrio torna-se indispensável para não se tornar dependente do suprimento do exterior, sobre o qual não se dispõe de controle total. Já houve períodos no próprio Estados Unidos em que seu setor agrícola estava na vanguarda do mundo, o que não acontece mais atualmente. O lamentável é que isto está acontecendo também em outros setores de tecnologia de ponta, onde o Vale do Silício era um importante símbolo mundial, e está sendo superado por outros países como a China,

Acredita-se que o setor rural norte-americano tem as condições de se recuperar, mas há uma necessidade de uma política clara de parte do governo, pois suas flutuações são acentuadas, nem sempre sendo possível o setor privado suprir todas as suas necessidades básicas. Paulatinamente, espera-se que os subsídios sejam reduzidos e compensados por aumentos de produtividade como os proporcionados pelas pesquisas.


Novas Demandas Chinesas

13 de dezembro de 2018
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais e Notícias | Tags: , , ,

Um artigo publicado por Zhu Wenqian no China Daily informa sobre o relatório “New Horizont 2023”, divulgado pelo Sino-Dutch Dairy Development Center, onde se estima que a demanda de produtos lácteos naquele país deve ser astronômica, como tudo que acontece na China.

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A demanda chinesa de produtos lácteos, como o leite, iogurte e queijo está estimado que cresça cerca de 20% ao ano no próximo quinquênio

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Medidas dos EUA Difíceis de Serem Compreendidas

7 de dezembro de 2018
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Política, Tecnologia | Tags: , , ,

A solicitação norte-americana que a CFO da Huawei chinesa, Meng Wanzhou, fosse presa no Canadá, visando a sua extradição para os Estados Unidos, conflita abertamente com as informações que, depois de Donald Trump ter jantado com Xi Jinping, haveria três meses de trégua na guerra comercial entre os dois países para um mínimo de entendimento. No fundo, a Huawei é considerada hoje uma das mais importantes no mundo na área da tecnologia avançada, com componentes para equipamentos eletrônicos, superando em clip_image002diversos aspectos as mais importantes empresas norte-americanas. O problema só poderia ser superado com um esforço para que as tecnologias avançadas dos Estados Unidos voltassem à posição que tinham até recentemente.

Meng Wanzhou, CFO da Huawei, presa no Canadá a pedido dos norte-americanos, é filha do fundador da empresa e seu chairman, Ren Zhengfei

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Onde Vivem os Marajás do Brasil?

7 de dezembro de 2018
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política, Editoriais e Notícias | Tags: , ,

Fica-se com a amarga impressão que os marajás brasileiros do serviço público que abundam em Brasília não leem sequer os jornais, pois se sentiriam no mínimo fortemente constrangidos quando, além do aumento absurdo que fixaram para si próprios, reivindicam a manutenção dos seus auxílios-moradia em torno de R$ 5 mil mensais. Saber que os pobres absolutos do Brasil que sobrevivem ganhando R$ 140 por mês aumentaram para 15,2 milhões de pessoas no ano passado, e os pobres que ganham R$ 406 por mês subiram para 54,8 milhões, segundo os dados divulgados pelo IBGE com os do ano passado, fazem as pessoas normais se sentir mal.

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Moradores das palafitas do Brasil, onde as crianças precisam conviver com os esgotos, sem tratamento de saúde ou educação decente

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Evoluções na Questão de Carlos Ghosn e a Nissan

4 de dezembro de 2018
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política | Tags: , , | 27 Comentários »

Uma verdadeira enxurrada de artigos sobre a questão de Carlos Ghosn com a Nissan tem saído em jornais internacionais e japoneses acrescentando algumas luzes adicionais. Isto parece que continuará até a decisão judicial no Japão, que poderá ser ainda contestada pelos advogados de Ghosn, sendo difícil estimar quando tudo estará concluído. Enquanto isto, em Amsterdam, anunciou-se que as três empresas, Renault, Nissan e Mitsubishi Motors, reafirmaram o compromisso de atuar em conjunto na aliança entre eles, apesar dos problemas criados pela detenção do empresário.

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Renault, Nissan e Mitsubishi Motors anunciam em Amsterdam o firme compromisso de continuar com a Aliança

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Tiro no Pé de Donald Trump na Economia dos EUA

28 de novembro de 2018
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política, Editoriais e Notícias | Tags: , ,

clip_image001Mesmo com as exageradas declarações e medidas econômicas do presidente Donald Trump, observam-se que algumas que deveriam ser voltadas principalmente contra os chineses estão afetando as grandes empresas norte-americanas, como a General Motors e a Apple que são obrigadas a reduzir suas produções naquele país, pela impossibilidade de continuar expandindo usando componentes importados.

A poderosa GM anuncia o fechamento de fábricas nos Estados Unidos, apesar das ameaças de Donald Trump

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A Dificuldade para se Governar no Brasil Atual

28 de novembro de 2018
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política, Editoriais e Notícias | Tags: , , ,

Os analistas mais experientes possuem uma consciência das dificuldades que precisam ser enfrentadas por um novo governo no Brasil, como o eleito recentemente. Notadamente, quando as eleições deram um claro recado que os eleitores desejam uma profunda mudança no que veio ocorrendo no país: uma redução significativa da corrupção, da criminalidade e um crescimento econômico mais robusto, capaz de criar emprego para a população brasileira com uma remuneração condigna. Uma parte destes difíceis objetivos já foi atingida pela própria eleição recente que renovou imagede forma significativa o quadro político, elegendo novos dirigentes e parlamentares, mas ainda persistem necessidades de reformas substanciais que enfrentam obstáculos que não podem ser subestimados, para atender a este tipo de demanda dos eleitores.

Jair Bolsonaro, presidente eleito que deverá ser empossado em 2019

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